Taiwan pode servir de exemplo às autopeças nacionais

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São Paulo – Ao colocar no mercado uma geração nova do automóvel mais vendido no Brasil com alto nível de conectividade já na versão de entrada, a General Motors passa um recado à indústria: veículos produzidos no Brasil  subiram de patamar tecnológico. Até o slogan da campanha publicitária do Chevrolet Onix, Menos Nunca Mais, sugere que a inovação veio para ficar.

 

Com mais tecnologia embarcada, maior é o número de componentes eletrônicos nos veículos, a maioria importados. Diante do cenário é recorrente a discussão em torno do poderio das empresas nacionais de partes e componentes: estão preparadas para, nos próximos anos, constituírem opção para as montadoras ao produto estrangeiro e reduzir custos com importação?

 

Há quem diga que sim, e há também quem diga que é preciso tornar a indústria mais competitiva para competir com outras que se encontram em estágio mais avançado de desenvolvimento e manufatura.

 

Chiang Chih Wei, gerente de projetos da Taiwan Trade Center do Brasil, disse na quinta-feira, 28, que, ainda que a indústria nacional de autopeças esteja discutindo o rumo a seguir, existe hoje oportunidade de estudar modelos aplicados em países com perfil econômico similar ao brasileiro e, a partir daí, criar uma política industrial própria:

 

"Taiwan, por exemplo, saiu de uma condição subdesenvolvida por meio de políticas públicas de fomento e, hoje, tem uma indústria forte que produz componentes de alto valor agregado para 80% do mercado automotivo global".

 

Sobre as iniciativas naquele país Wei disse que houve incentivos por parte do governo que estimularam a produção de determinados componentes após verificação de demanda no mercado externo. Afora isso as fábricas taiwanesas instalaram produção flexível e diversificada. Houve, ainda, redução dos entraves burocráticos para atrair investidores estrangeiros.

 

O executivo participou de evento em São Paulo para divulgar a maior feira de autopeças de Taiwan – segundo sua apresentação a indústria taiwanesa já faturou US$ 20 bilhões este ano, sendo que US$ 7,6 bilhões correspondem aos negócios envolvendo exportação de autopeças, o que representa alta de 1,5% na comparação com o faturamento registrado em 2018. 45% do que é produzido em Taiwan abastece o mercado OEM dos Estados Unidos. A fatia restante é pulverizada por países asiáticos e europeus.

 

"Quarenta fornecedores dos veículos Tesla têm origem taiwanesa. São fabricantes de sistemas de navegação, comunicação e entretenimento. O próximo passo será tentar aumentar participação nos veículos montados na Europa", disse Chiang Chih Wei, citando demanda por centrais multimídia. "As principais fabricantes do conjunto estão instaladas em Taiwan. Juntas detêm 15% do mercado global."

 

Afora as telas sensíveis ao toque que equipam hoje a maioria dos lançamentos de veículos realizados de 2017 para cá, como os Fiat Argo e Cronos e Volkswagen Polo e Virtus, a base de fornecedores de autopeças de Taiwan é especialista na produção de componentes para iluminação automotiva, para-choques, moldes para termoplásticos e peças estampadas.

 

Segundo Chiang Chih Wei parte dos fornecedores desses componentes exporá seus produtos na feira Taipei Ampa 2020, que será realizada em abril na capital de Taiwan. Os organizadores do evento esperam público superior a 30 mil visitantes e mais de 1,3 mil expositores.

 

Foto: Divulgação.