Preços deverão subir mesmo com mercado em baixa

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

CompartilheBalanço da Anfavea
08/05/2020

São Paulo – Parece contraditório, mas mesmo com um cenário de mercado interno em queda de 27% no primeiro quadrimestre, comparado com igual período de 2019, as fabricantes de veículos fazem cálculos para subir o preço dos modelos. As vendas somaram, no período, 613,7 mil unidades, ante 839,5 mil veículos no ano passado, segundo divulgou a Anfavea na sexta-feira, 8. Demanda menor, preço menor, imaginaria o leitor, mas a realidade será diferente, segundo o presidente Luiz Carlos Moraes.

 

“O dólar disparou e gerou uma pressão enorme nos custos”, disse o executivo em entrevista coletiva on-line. “E caindo o volume produzido, nossos custos também aumentam”.

 

Na retomada da produção as montadoras estão operando com menos trabalhadores nas linhas, mas reforçaram medidas sanitárias e elevaram os itens do EPI, incluindo máscaras, por exemplo. Embora sejam ajudadas pela MP 936, que permitiu flexibilizar jornada e salários, as fabricantes ainda terão menos escala – e a escala ajuda a reduzir o custo.

 

Mas Moraes coloca no dólar a principal razão para aumento dos custos. Pudera, a moeda estava cotada na casa dos R$ 4 no começo do ano e está batendo nos R$ 6 nos últimos dias. “Boa parte desta desvalorização do real é por causa da política. Por uma crise desnecessária todos os setores serão afetados. Quanto mais barulho em Brasília, mais dificuldades teremos na economia”.

 

Em abril foram comercializadas 55 mil 735 unidades, queda de 76% na comparação com o mesmo mês de 2019 e de 66% com relação a março.

 

 

O presidente da Anfavea evitou falar em reabertura das concessionárias, pauta levantada pelo presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior. Mostrou, porém, que a queda nas vendas foi maior em mercados com maior restrição de abertura das lojas – São Paulo, o principal mercado de vendas de veículos no Brasil, registrou apenas 551 unidades, uma queda de 99%. No Rio de Janeiro foi parecido, 89% de recuo. O estado que mais licenciou carros, no mês passado, foi Minas Gerais: 14,2 mil unidades – muitas locadoras licenciam seus veículos em Belo Horizonte.

 

Mesmo com quase nenhuma produção em abril os estoques nos pátios das fabricantes e da rede conseguem abastecer quatro meses de vendas. Segundo a Anfavea somavam 237,3 mil veículos ao fim de abril.

 

Foto: Freepik.