Indústria de máquinas enfrenta falta de peças

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Foto Jornalista Caio Bednarski

Por Caio Bednarski

CompartilheMáquinas agrícolas
13/05/2020

São Paulo – Menos tempo paradas – em torno de vinte dias – por estarem com demanda aquecida no meio da safra, as empresas fabricantes de máquinas agrícolas conviveram com outro entrave gerado pela pandemia da covid-19: o desabastecimento de peças. O problema foi global, por causa da parada em fábricas localizadas fora do País, e regional, pois alguns fornecedores não puderam operar para respeitar decretos municipais.

 

A falta de peças na cadeia acabou ampliando, um pouco mais do que os executivos gostariam, as paralisações nas fábricas. Foi preciso parar para readaptar as linhas às novas normas de segurança, como menos colaboradores, ampliação de distanciamento, mudança nos refeitórios, etc.

 

Luis Felli, presidente do Grupo AGCO para a América do Sul, contou que foi preciso lançar mão do frete aéreo, com custos mais elevados:

 

"Agora a cadeia está reestabelecida, mas o nosso maior tempo parado foi por falta de componentes. Tivemos que trazer peças de avião da China e da Europa para voltar a operar. Fornecedores nacionais também tiveram que parar de produzir para obedecer a decretos municipais. Neste caso fizemos um forte trabalho para ajudá-los na retomada da produção e conseguir, a eles, acesso a linhas de crédito para manter o fluxo de caixa durante a paralisação. Se precisássemos apenas adaptar as fábricas para obedecer às novas normas de segurança a parada seria bem menor”.

 

 

 

 

A CNH Industrial também enfrentou dificuldades para importar componentes de países que enfrentaram lockdown total durante a pandemia, como China, Itália e outros países da Europa. Segundo o vice-presidente da New Holland, Rafael Miotto, a companhia ainda não conseguiu normalizar 100% do fornecimento: "Na fábrica de Curitiba algumas linhas de tratores não estão operando por falta de componentes. Esse problema também afetou outras linhas de produção".

 

A interrupção na cadeia de fornecimento gerou impacto negativo nos números do setor em abril. Ambos os executivos, contudo, acreditam que o segmento tem fôlego para recuperar o volume perdido, considerando as boas condições de produção e venda de algumas áreas do agronegócio. Mas a retomada dependerá do crédito disponível para reverter os prejuízos da crise.

 

Para Miotto um dos segmentos agrícolas que puxa o setor é o de grãos, que tem previsão de novos recordes no ano. O problema é que esses produtores demandam muito crédito de linhas do Plano Safra, como o Moderfrota: "Eles precisam dos recursos disponíveis. Sem conseguir financiar suas compras a recuperação poderá não acontecer".

 

 

O vice-presidente da New Holland projeta, diante do cenário atual, queda de 5% a 10% no ano, lembrando sempre da questão do crédito para não piorar a previsão.

 

O presidente do Grupo AGCO preferiu não arriscar projeções para o ano, e concorda que a questão do crédito é fundamental para a recuperação: "São três questões: o crédito disponível, a cadeia de fornecimento e a documentação das máquinas novas que precisa ser feita em cartórios, que estão fechados em muitas cidades. Com isso funcionando o segmento deverá se recuperar e pode até empatar com o resultado de 2019, ou ter uma leve queda".

 

Sobre a possível antecipação do novo Plano Safra 2021, que está previsto para começar a operar em julho, os executivos disseram não ser essa a prioridade: ressaltaram mais uma vez que a maior demanda do setor é a disponibilidade de recursos.

 

Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea que responde pelo setor agrícola, também defendeu essa bandeira: "Fazer projeções agora é complicado, mas se o produtor tiver os recursos disponíveis, com taxas atrativas, e souber disso com antecedência, poderá se programar para fazer seus investimentos nos próximos meses. As condições, mais uma vez, estão boas para o produtor, como exportação muito rentável e preço bom das commodities".

 

Para Miguel Neto a leve queda nas vendas de máquinas em abril ocorreu por causa da pandemia da covid-19, que gerou dúvidas nos agricultores e os deixou mais cautelosos com relação aos seus investimentos, cenário que deverá mudar por causa dos fatores já citados.

 

O panorama do setor será debatido na segunda-feira, 18, no Workshop AutoData Perspectivas Máquinas Agrícolas e de Construção. O evento, online, tem inscrições abertas.

 

Foto: Divulgação.