Indústria espera vender mais 1 milhão de veículos até o fim do ano

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

CompartilheBalanço da Anfavea
05/06/2020

São Paulo – Dois meses após o início das medidas de isolamento promovidas por estados e municípios para tentar frear a pandemia da covid-19 a Anfavea corrigiu, pela primeira vez, suas projeções para o mercado interno este ano: queda de 40% com relação a 2019, para 1 milhão 675 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus licenciados.

 

A estimativa da entidade, portanto, é vender 1 milhão de veículos em sete meses, de junho a dezembro. Nos primeiros cinco meses foram licenciadas 676 mil unidades, segundo divulgou a Anfavea na sexta-feira, 5. A queda foi de 37,7% com relação ao mesmo período do ano passado. A nova projeção reduz, também, em 1,4 milhão de unidades a expectativa de vendas para o ano traçada em janeiro, quando, ainda sem pandemia no horizonte, a Anfavea acreditava em crescimento de 9,4% nas vendas sobre o ano passado, com 3 milhões 50 mil unidades vendidas.

 

 

Em maio as vendas caíram 74,7% na comparação com igual mês de 2019, para 62,2 mil veículos, o pior resultado para o mês desde 1992. Houve avanço de 11,6% com relação ao volume comercializado em abril:

 

“Junho ainda será um mês difícil em vendas”, analisou o presidente Luiz Carlos Moraes em apresentação à imprensa por videoconferência. “Esperamos um segundo trimestre fraco, um terceiro trimestre em um patamar melhor e um último trimestre ainda melhor”.

 

O presidente justificou suas expectativas com a reabertura das concessionárias em diversas cidades, especialmente em São Paulo, maior mercado do País – mesmo ainda em cenário de alta na curva de vítimas fatais da covid-19. Segundo ele os governos estaduais e municipais balizaram suas decisões de retomadas da economia em “critérios técnicos” e as concessionárias, bem como as montadoras, estão tomando todas as precauções exigidas para evitar contaminações em suas operações.

 

Outro fator que pode ajudar a reativar o mercado – para vender 1 milhão de veículos em sete meses é preciso, no mínimo, dobrar o volume registrado em maio, média de 140 mil veículos/mês – é o fato de os bancos de montadoras poderem acessar uma linha específica para bancos, que permitirá a oferta de crédito em melhores condições aos clientes e às concessionárias.

 

“Essas linhas não eram acessadas pelos bancos de montadoras. A Anfavea liderou a negociação junto à Anef, abrindo um canal de comunicação com o Banco Central. Agora os bancos de montadoras negociam diretamente com o BC, alguns em fase bem adiantada, para implementar essas linhas. Acredito que nas próximas semanas alguns bancos já tenham acesso.”

 

A estimativa da Anfavea, de recuo de 40% nas vendas, converge com a apontada pelo presidente da FCA, Antonio Filosa, poucas semanas depois do início da pandemia. Está em linha com as divulgadas recentemente por consultorias como Carcon Automotive. Não é, entretanto, algo final: “Temos dificuldades em fazer projeções para o ano. Esta projeção é feita com base no cenário atual, analisando um controle da doença. É um número possível para 2020, retornando aos volumes do mercado interno de 2004”.

 

Em meio a esta estimativa de vendas a Anfavea analisa um PIB em recuo de 7% a 7,5%, Selic a 2,25% no fim do ano, IPCA de 1,75% e dólar na faixa de R$ 5 a R$ 6. “Projetar o câmbio é muito complicado”.

 

Nesta projeção a queda será quase linear em leves e pesados: 40% em automóveis e comerciais leves, 1,6 milhão de unidades, 39% em pesados, 76 mil veículos – sendo 36% em caminhões, 65 mil unidades, e 52% em ônibus, 10 mil unidades.

 

As dificuldades em traçar cenário futuro por causa da instabilidade do momento fez com que apenas as estimativas de mercado interno fossem atualizadas. Produção e exportação seguem como incógnitas diante do cenário externo de pandemia e da retomada recente das fábricas, justificou Moraes.

 

Foto: Pinnacleanimates/Freepik.