São Paulo – Outubro registrou o maior volume de produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus do ano e o maior desde outubro do ano passado. Dados divulgados pela Anfavea na sexta-feira, 6, indicam que saíram das linhas de montagem 236,5 mil unidades, 7,4% acima do volume de setembro e 17% abaixo de outubro de 2019.
O saldo no acumulado do ano é negativo em 38,5%, com 1 milhão 567 mil veículos fabricados. Na comparação de janeiro a outubro de 2019 com o mesmo período de 2020 deixaram de ser produzidos quase 1 milhão de veículos.

Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, afirmou que as linhas estão calibradas com a demanda do mercado doméstico e das exportações. Os níveis de estoque estão abaixo da média registrada no período pré-pandemia, em um esforço das montadoras em tornar o fluxo de caixa mais saudável. E há cautela, muita cautela, por causa dos desafios que a entidade enxerga para o médio prazo.
“Ainda estamos na pandemia, com protocolos sanitários nas fábricas e uma grande interrogação quanto ao planejamento”, analisou o executivo em coletiva à imprensa realizada por videoconferência. “Essa demanda veio para ficar ou são compras reprimidas dos meses em que houve isolamento social e fechamento das concessionárias?”
Moraes apontou também para a pressão nos custos. Além da desvalorização cambial, de 43% desde o começo do ano – que afetam profundamente a produção de veículos dada a quantidade de componentes que são importados, diretamente pelas montadoras ou indiretamente pela cadeia de fornecedores – há falta de insumos e aumento no preço das matérias-primas.
“A indústria automotiva, que compra 30% do aço produzido no Brasil, está negociando com as siderúrgicas contratos para o ano que vem. O setor tem o argumento de aumento no preço do minério de ferro, do carvão, há pressão na produção de aço também. Será uma negociação dura.”
Por esses motivos a aparente retomada não provocou movimentos mais firmes da indústria no sentido de acelerar a produção. Segundo Moraes as fabricantes estão lançando mão de horas extras, trabalhos aos sábados e contratação de temporários, com contratos de trabalho por prazo definido.
“No mês passado foram admitidos 592 trabalhadores pelas fabricantes de veículos. Outros 1 mil 492 foram demitidos, a maior parte por meio de PDVs, o que gerou um saldo negativo de 900 trabalhadores. Mas as fabricantes de máquinas contrataram outros 170, o que reduziu este déficit.”
Ao fim de outubro as associadas da Anfavea empregavam 121,4 mil trabalhadores, 6,3 mil pessoas a menos do que em outubro de 2019.
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