São Paulo – A maior capacidade de transmissão da nova variante coronavírus, a ômicron, atingiu as linhas produtivas do setor automotivo no País em janeiro. Contribuiu para o cenário o aumento do absenteísmo, que segundo a Anfavea girou em torno de 6% a 7% do efetivo das montadoras, de 101,3 mil profissionais, ou seja, atingiu 7 mil funcionários. Também endossou as dificuldades as férias coletivas estendidas que, em alguns casos, como no da Scania, adentraram fevereiro devido à persistente falta de semicondutores. No contexto o segmento de ônibus, que já não ia bem, seguiu patinando: foram produzidas 1,3 mil unidades no mês passado, volume 7,8% menor que o de janeiro de 2021 e 7,3% inferior ao de dezembro de 2020.
Nos dois meses o volume girou em torno de 1,4 mil unidades, mesmo volume do primeiro mês de 2020. Os dados foram divulgados na segunda-feira, 7, pela Anfavea, em coletiva de imprensa online.
Embora as vendas das 1 mil unidades tenham empatado com o volume de janeiro de 2021 com relação a dezembro do ano passado houve queda de 11,6% nos emplacamentos. Quando se compara com os números de janeiro de 2020, entretanto, o recuo é de 33%, período em que foram comercializadas 1,5 mil unidades.
O vice-presidente Gustavo Bonini destrinchou as vendas do mês passado, e destacou que 23% delas se deveram ao programa do governo federal Caminho da Escola, que busca renovar, padronizar e ampliar a frota de ônibus escolares do País. A previsão da Anfavea é que até o fim do ano a iniciativa demande 6,8 mil unidades.
Do total de 0 KM licenciado em janeiro 26% foram ônibus urbanos, 14% rodoviários e 9% para fretamento. Quanto aos tamanhos 19% foram micro-ônibus e 9% miniônibus.
Bonini reconheceu que a pandemia afetou toda a economia mas, em especial, o setor de turismo, refreado devido à recomendação sanitária de se evitar aglomeração, "e os ônibus pagaram seu preço nesse contexto". Mas, para este ano, apesar dos estragos da variante ômicron, a expectativa se mantém positiva e com a aposta de retomada da demanda por turistas.
Em 2021 as vendas totalizaram 14,1 mil unidades, leve alta com relação a 2020, com 13,9 mil unidades, mas ainda bastante aquém de 2019, quando foram emplacados 21 mil ônibus. O plano para 2022 é ampliar o licenciamento em 20% e encerrar o ano com 17 mil unidades.
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