Mercado de caminhões sobe 2 dígitos em 2018

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CompartilheCongresso AutoData 2018
09/10/2017

Os três palestrantes do painel Caminhões, realizado durante o primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018, João Pimentel, presidente da Ford Caminhões, Bernardo Fedalto, diretor comercial de caminhões da Volvo, e Ricardo Barion, diretor de marketing da Iveco, trabalham com crescimento de dois dígitos para o setor em 2018.

 

Fedalto, da Volvo, acredita que o incremento de vendas no segmento em que atua, veículos comerciais semipesados e pesados, será de 10% a 20%, e Barion, da Iveco, trabalha com acréscimo de 5% a 10% – “mas o índice mais realista talvez seja 10%”.

Além das expectativas para 2018 os executivos debateram temas como a sustentabilidade do mercado, o processo das exportações, o uso de materiais alternativos, a cadeia de suprimentos, a adoção do Euro 6 e a renovação de frota.


Eles também revisaram as expectativas de 2016 com relação a 2017. Na época a maioria acreditava em retomada do mercado já este ano, com a economia se descolando dos fatos políticos com maior rapidez, como lembrou Barion, da Iveco: “Ninguém acreditava que podia cair mais, mas a situação política piorou muito”.


Hoje, com o aparente descolamento, a análise fica mais realista.


A opinião de João Pimentel, presidente da Ford Caminhões, é a de que a indústria, hoje, é pequena e crescer 20% significa mercado de 60 mil unidades por ano: “Para se tornar sustentável para a rede precisa chegar a 80 mil, 90 mil”.


Mercado sustentável. Chegar à sustentabilidade significa aumentar vendas, e para Fedalto, da Volvo, o número ideal é de 120 mil a 130 mil unidades por ano. Pimentel, da Ford, acredita que em 2020 o mercado deve atingir aproximadamente 100 mil veículos: “Em 2024 há possibilidade de vendas na ordem de 120 mil, 130 mil, podendo chegar a 150 mil”.


Já para a Iveco em condições normais a indústria consegue atingir 100 mil unidades vendidas nos próximos cinco anos.


Com relação às exportações Fedalto, da Volvo, observou que a empresa nasceu, 40 anos atrás, com a premissa de exportar 30% da sua produção: “Temos isso no DNA da empresa, e hoje as vendas externas representam quase 50% do negócio”.


Barion, da Iveco, confirmou que a empresa sentiu necessidade de exportar com a crise. Segundo ele 30% é índice que faz sentido, mas depende da flutuação cambial. Já na Ford Pimentel contou que sempre se teve exportação como objetivo: “Mas não conseguimos ir para mercados além da América do Sul, por falta de competitividade”.


De acordo com Pimentel a Ford consegue exportar 35% da sua produção de caminhões e, mais, que pretende crescer nas suas operações sul-americanas com o início de vendas para a Colômbia.


Alumínio. O uso de materiais alternativos também foi debatido no painel e os executivos admitiram que ainda há pouco conteúdo de alumínio em seus produtos, como disse Barion, da Iveco:


“Com a crise o bolso do cliente ficou sensível ao preço e ele não consegue enxergar benefícios no uso do alumínio nos veículos”.


Outro tema abordado no painel foi a capacidade da cadeia de suprimentos de retomar vendas e produção. Pimentel, da Ford, acredita que na hora da recuperação todos trabalharão em conjunto para atender à demanda, apesar dos problemas na cadeia como um todo. Barion, da Iveco, contou que toda semana descobre mais fornecedores precisando de ajuda, e por isso acredita que alguns terão dificuldades para atender às demandas do crescimento.


Marcado no calendário para entrar em vigor em 2022, o padrão Euro 6 de restrições a emissões de poluentes por veíclos automotores também foi tema debatido, assim como a polêmica da renovação de frota. Pimentel, da Ford, disse que a legislação é bem vinda mas que, antes dela, é preciso fiscalizar e tirar de circulação os caminhões velhos, com mais de trinta anos de uso. A maneira de se atingir esse objetivo é por meio da renovação da frota, que na visão de Pimentel deve ser realizada pela iniciativa privada, uma parceria de montadoras, fornecedores e instituições financeiras: “O governo não fará muita coisa, então setor privado precisa se mexer”.


Pimentel apontou que somente metade dos veículos Euro 5 atualmente usam Arla. Segundo ele muitos adotam chip clandestino que engana sistema: “Esse ramo requer muito mais fiscalização”.


Barion, da Iveco, e Fedalto, da Volvo, concordam com o presidente da Ford. Para Barion “há um monte de caminhão Euro 0 rodando por aí. Precisamos de renovação de frota e também discutir a data da adoção do Euro 6”.


“Todas as montadoras já têm Euro 6, e por isso produzir não é problema”, contou Fedalto. “Mas é preciso fiscalizar, é preciso fazer renovação de frota pela fiscalização.”

 

Foto: Maurício de Paiva