Para máquinas crescimento não pode ser rápido demais

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CompartilheCongresso AutoData 2018
09/10/2017

As empresas fabricantes de máquinas agrícolas e de construção preveem um 2018 de pouco crescimento – e isso, por incrível que pareça, é boa notícia. A razão está na cadeia de fornecimento, tornada extremamente frágil com a crise de mercado dos últimos três anos: os números de vendas de maquinário de construção, por exemplo, caíram de 45 mil unidades em 2013 para estimadas 7 mil em 2017.


Aquele estupendo volume alcançado antes da crise atraiu novas fabricantes do segmento a erguer fábricas por aqui: as empresas com produção local saltaram de quatro para mais de uma dezena. A mistura de um dobro de clientes associada a uma queda vertiginosa dos pedidos foi cruel para a cadeia de fornecimento, que agora não tem condições de reagir rapidamente diante de um possível cenário mais animador.


Esta constatação foi unânime pelos participantes de painel que reuniu representantes do segmento no primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2018. Dividiram o palco Afrânio Chueire, da Volvo CE, Paulo Beraldi, da AGCO Valtra, Roberto Marques, da John Deere, e Roque Reis, da CNHi. Na média os palestrantes estimaram para 2018 elevação dos números na faixa de um dígito alto, próximo de 8%.


“Considerando a base baixa representa muito pouco”, atestou Chueire. “Mesmo se o crescimento fosse de 30% isso significaria 2 mil máquinas a mais, o que, ainda assim, seria volume bastante reduzido.”


Um parâmetro realista para o mercado nacional, ele calculou, seria de 12 mil a 20 mil máquinas por ano.


Marques, da John Deere, elencou outra preocupação: o aumento representativo do capital chinês em obras de infraestrutura no País: “A princípio tendem a optar por empreiteiros chineses, o que pode vir a representar também o uso de maquinário chinês”.


Outra dúvida paira quanto às empresas construtoras investigadas pela Operação Lava Jato: poderão participar de novos editais para obras? Se estiverem impossibilitadas quem o fará, se é que alguém o fará?


De qualquer forma o panorama à frente tem tudo para ser positivo. Beraldi, da AGCO Valtra, afirmou que a América do Sul tem o maior potencial agrícola do mundo. Ele também lembrou da China, mas agora em outra perspectiva: aquele país tem um déficit em terras disponíveis para plantio, o que pode vir a se tornar boa notícia para as exportações agrícolas brasileiras.


Quanto ao mercado o palestrante estimou alta de 5% a 10% nas vendas de tratores de roda em 2017, seguida de nova elevação de 10% em 2018. Para as colheitadeiras a projeção é queda de 5% este ano e crescimento de 15% no próximo.


Reis, da CNHi, acrescentou que as exportações têm ajudado as fabricantes a enfrentar o cenário de redução brusca do mercado interno, ainda que “não seja exatamente a salvação da lavoura”. De qualquer forma, estimou, as vendas no País não devem cair mais do que já caíram, ou seja: o fundo do poço já foi alcançado.


Foto: Maurício de Paiva