Indústria de Caxias do Sul retoma crescimento

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01/03/2018

Após sequência de três anos de queda no faturamento e no quadro de funcionários as indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico de Caxias do Sul, RS, respiraram mais à vontade em 2017. Se no período de 2014 a 2016 o setor acumulou perdas de 53% na receita, que caiu para R$ 11,2 bilhões, e foram fechados em torno de 17 mil postos de trabalho, recuo de 50 mil para 33 mil, o alento voltou em 2017, com a recuperação da receita em quase 9%, R$ 12,2 bilhões.

 

O número de empregos praticamente não se alterou, e houve o registro positivo de 61 novas contratações. Em janeiro o setor empregava, em Caxias do Sul, 33 mil 71 trabalhadores. Com relação a janeiro de 2012 são 20,3 mil vagas a menos.

 

Em 2017 as empresas ligadas ao ramo automotivo consolidaram R$ 8,6 bilhões de receita, crescimento de 8% sobre o ano anterior, que totalizou R$ 8 bilhões. Nos empregos a participação média é de cerca de 40%.

 

De acordo com Reomar Slaviero, presidente do Simecs, Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico, a reação no ano passado ocorreu no último trimestre, com destaque para novembro, “mês de desempenho excepcional”. Mesmo assim o faturamento ficou abaixo do consolidado em 2000, de R$ 12,7 bilhões, o terceiro mais baixo deste início de século, superior apenas aos de 2016 e 2017.

 

Para 2018 o presidente da entidade preferiu a cautela e não projetou indicadores, mas reconheceu que o ano começou com atividade aquecida: “Estamos otimistas, mas não eufóricos. Acreditamos na retomada e esperamos que seja como o voo de pássaros selvagens, alto e longo, e não como o de galinhas”.

 

Slaviero observou que o empresariado tem emitido sinais de que pretendem voltar a investir e a contratar, mas de forma cautelosa:

 

“A crise de 2014 a 2016 deixou muitas feridas, ainda não plenamente curadas, no empresariado. As receitas de 2010 a 2013 foram fictícias, mas os empresários contrataram e investiram. O tombo foi grande e dolorido, o que levou várias organizações a buscar amparo na recuperação judicial. Creio que mais algumas ainda terão de fazer uso do expediente”.

 

O presidente do Simecs não acredita que, no curto prazo, a atividade metalúrgica venha a operar com receitas como as do período de 2010 a 2013, que foram, na média, de R$ 24 bilhões. Para ele é mais provável que o valor oscile de R$ 15 bilhões a R$ 18 bilhões, registrados nos anos anteriores à crise de 2009.

 

O mesmo cenário vale para os empregos: “Não recuperaremos os postos perdidos desde 2011. Até porque as indústrias estão buscando alternativas para aumentar a competitividade, o que exige investimentos em automação. Os empregos fechados na indústria metalúrgica terão de ser abertos em outros segmentos”.

 

Migração - As indústrias ligadas à câmara metalmecânica foram as que mais influenciaram no resultado positivo do setor, com alta de 13,45% e respondendo por 21% do total. O índice de participação representa incremento de 9 pontos na comparação com o de 2011, de 12%. Na avaliação de Rogério Gava, assessor de planejamento do Simecs, houve uma migração de empresas de outras câmaras, especialmente da automotiva, para a metalmecânica em função da crise que atingiu, de forma especial, o segmento de veículos pesados.

 

A câmara automotiva respondeu, em 2017, por 71% do faturamento do setor, queda de 7 pontos nos últimos sete anos. Para o presidente Slaviero a situação não deve se alterar muito mais nos próximos anos até porque o setor automotivo pesado já iniciou o processo de reação: “Essa atividade continua sendo o motor da economia de Caxias do Sul”.

 

Já a câmara setorial eletroeletrônica mantém participação de um dígito, 8%, 1 ponto abaixo do consolidado em 2011.

 

Foto: Divulgação.