Mercado de caminhões expande 50% em jan-mar

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CompartilheBalanço da Anfavea
05/04/2018

O mercado de caminhões chegou ao fim do primeiro trimestre melhor do que estava em 2017, uma evolução pavimentada pela retomada dos investimentos em alguns setores, o que motivou renovação de frota, e pela também safra recorde. Se ao fim de março do ano passado as vendas chegaram a registrar queda de 26,3% o quadro agora é outro: alta de 50,4% nas vendas e expectativa de revisão das projeções para o segmento.

 

Ainda que se reconheça que 2017 seja uma base baixa de comparação, fabricantes se animam diante da possibilidade de aquecimento do mercado diante de oportunidades atreladas ao patamar atingido pelo PIB e à melhora do ânimo dos bancos na concessão de crédito. Diante deste cenário houve aumento da produção e já se fala que não seja sustentada apenas pelas exportações, como aconteceu até agora. No trimestre as linhas produziram 55% a mais do que em idêntico período do ano passado, segundo dados divulgados pela Anfavea na quinta-feira, 5.

 

O crescimento acelerado no mercado de caminhões, no entanto, pode não ser acompanhado no mesmo ritmo pela rede de distribuição e, mais grave, representar uma demanda maior do que a capacidade da cadeia de fornecedores pode atender com a estrutura enxuta que muitas empresas de autopeças criaram. Na terça-feira, 3, a Fenabrave atentou ao tema e expressou sua preocupação a respeito de uma eventual falta de caminhões, sobretudo os pesados, disponíveis para venda.

 

O segmento, aliás, é um dos que mais crescem em termos de volumes de vendas: no trimestre crescimento de 89,8% nos emplacamentos, chegando a um volume de 6 mil 401 unidades.

 

A preocupação é compartilhada pelas fabricantes, em maior ou menor grau. Para a MAN Latin America existe de fato o temor do descompasso da produção com o fornecimento. Para Ricardo Alouche, seu diretor de vendas, existe em curso uma série de iniciativas que a empresa lidera no sentido de detectar e ajudar seus fornecedores a atender suas demandas:

 

“Existe o temor, um desconforto. O mercado de 2011 a 2016 caiu mais de 70%, naturalmente a cadeia teve de se adequar. Iniciamos um trabalho no quarto trimestre que vai durar até fim do primeiro semestre com os fornecedores. Ainda temos gargalos de produção, mas não está faltando peça. O que há são dificuldades pontuais com um ou outro fornecedor”.

 

Sobre as dificuldades Alouche observou que “quando a demanda aumenta rapidamente o fornecedor que está voltando da crise precisa contratar e comprar material, e ele se comporta de forma cautelosa porque há o risco de a demanda cair novamente. Para minimizar o processo chamamos para reuniões e compartilhamos visões de mercado. No ano passado só trabalhávamos com 60% de um único turno. Hoje a situação melhorou: cinco dias por semana com horas extras e um turno. Isto mostra um cenário sólido”.

 

A Mercedes-Benz, que fechou o trimestre na condição de empresa que mais vendeu veículos pesados – 1 mil 937 unidades, alta de 87% – mostrou-se mais prudente sobre o tema. Segundo Roberto Leoncini, seu vice-presidente de vendas, considera que ainda é cedo para fazer essa projeção: “Temos que aguardar uma evolução mais sustentável do mercado. A Mercedes-Benz está atendendo com regularidade aos pedidos de seus clientes diante desse cenário de retomada. Estamos preparados para atender a volumes maiores no futuro”.

 

No caso da Volvo, segunda empresa que mais vendeu caminhões pesados no trimestre, 1 mil 612 unidades, alta de 78,5%, a empresa teve de expandir sua capacidade em fevereiro para poder atender à demanda crescente e tentar diminuir o prazo de entrega dos seus caminhões. Segundo sua assessoria de imprensa os prazos de entrega variam, hoje, de sessenta a 120 dias, dependendo do modelo.

 

Disse em comunicado: “No caso do Volvo FH, o modelo pesado mais procurado, esse prazo pode chegar a 120 dias”.

 

Foto: Divulgação.