Gerdau voltará a operar em três turnos em Mogi

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A retomada nas vendas de veículos no mercado interno provocou estímulos em toda a cadeia automotiva e inseriu o País, novamente, no mapa dos investimentos. O crescimento também gerou o aumento da demanda por matérias primas nas empresas de autopeças. No caso da Gerdau, produtora de aços, tanta novidade fez com que decidisse fazer voltar a operar a unidade de Mogi das Cruzes, SP, em março -- para, em junho, Mogi passar a trabalhar em três turnos.

 

A volta da demanda fará a Gerdau a ocupar a sua capacidade ociosa, segundo Fladimir Gauto, seu diretor de operação de aços especiais. Para ele os novos modelos trazem novos compostos metálicos nas peças e há processo de substituição de materiais em veículos já lançados:

 

“A onda de construção de motores menores, o conhecido processo de downsizing, deu início ao uso mais recorrente de aços especiais na composição de peças para veículos. Outro exemplo é a busca pela eficiência, pois algumas empresas passaram a aplicar ligas metálicas em busca de redução de peso”.

 

A empresa, embora evite os pormenores, afirma participar, neste momento, de novos projetos de veículos de montadoras e de novos projetos de empresas sistemistas. O objetivo é desenvolver peças mais resistentes por meio da amplicação de algum tipo de aço especial. Na quinta-feira, 17, a empresa anunciou sua nova família aços mais resistentes de olho nas necessidades das fabricantes de veículos.

 

A nova gama possui quatro linhas de materiais cujas propriedades variam de acordo com a aplicação – construção de rolamentos mais leves, alta resistência em peças em geral, alto rendimento na usinagem do componente e uma versão específica para molas e conjunto de suspensão. A empresa não atua na produção de aços especiais com aplicação na parte estrutural de veículos.

 

A volta do terceiro turno em Mogi das Cruzes, que hoje opera em dois, é esperada para junho, o que envolverá a contratação de mais funcionários, de acordo com Mauro Franco, diretor de marketing e planejamento de aços especiais no Brasil: “Muitos deles têm sido, e serão, recontratados, uma vez que trabalhavam na unidade antes de encerrarmos a sua operação, em 2015”.

 

Afora essa unidade a empresa mantém produção de aços especiais em Pindamonhangaba, SP, e em Charqueadas, RS. Somadas as capacidades nominais de cada fábrica, a Gerdau tem capacidade para produzir 1,8 milhão de toneladas de aços especiais por ano -- hoje opera com 60% dessa capacidade.

 

Da mesma forma como ocorreu nas fabricantes de veículos, a Gerdau encontrou nas exportações as oportunidades para manter a produção em marcha para compensar o desaquecimento no mercado interno. Fladimir Gauto disse que de 25% a 30% da quantidade do aço beneficiado hoje tem como destino clientes fora do País. Alemanha, Estados Unidos, Itália e México são alguns dos mercados externos atendidos pelas três unidades de aços especiais brasileiras da Gerdau.

 

A empresa vive momento favorável nas exportações por causa da valorização recente do dolar, que elevou o preço dos materiais. Por outro lado, contou Franco, a produção nacional de aço especial demanda insumos importados, fato que elevou o custo por tonelada produzida:

 

“Existe a pressão por preço na competição com empresas asiáticas, por exemplo, algo que se intensificou este ano a partir dos embates envolvendo Estados Unidos e China. Agora chega a questão do câmbio. Por isso acreditamos no potencial do mercado interno brasileiro, onde somos líderes em alguns segmentos”.

 

A empresa anunciou no começo de maio a manutenção da projeção de investimento de R$ 1,2 bilhão em sua operação global, volume que representa 37% a mais do que o valor aportado ano passado. A empresa utilizará o recurso nos ativos nos quais avalia haver maior possibilidade de rentabilidade -- um deles é o de aços especiais, que receberá 15,4% do investimento.

 

Para Franco o cenário pode ser visto como um indicador de que a empresa enxerga oportunidades a longo-prazo dentro do setor automotivo: “Muita coisa ainda depende da definição do Rota 2030, mas o mercado brasileiro, que tem potencial para produzir 5 milhões de veículos, é considerado estratégico”.

 

Foto: Divulgação.