Caminhões: exportações precisam da atenção do governo.

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CompartilheCongresso AutoData 2019
25/03/2019

São Bernardo do Campo, SP – As três fabricantes que detêm o maior volume de vendas de caminhões no País, Mercedes-Benz, Volkswagen Caminhões e Ônibus e Scania, observam nas medidas públicas uma possibilidade de aumentar a sua competitividade fora do País, especificamente nos mercados vizinhos. Sob sua ótica, sem as reformas, dentre uma série de outros fatores, os veículos comerciais produzidos aqui se tornam mais caros no exterior.

 

Segundo Carlos Santiago, vice-presidente de operações da M-B, o custo operacional da companhia no País faz com que, hoje, os veículos produzidos por outras fábricas da Daimler sejam os seus principais concorrentes na região: “É mais barato importar veículos de outras marcas do grupo do que produzir localmente. Precisamos apostar mais nos meios de produção 4.0 e nas reformas fiscais para aumentar a competitividade da nossa indústria”.

 

A companhia, que encerrou o bimestre como líder em vendas de caminhões com 4 mil 226 unidades, investiu R$ 100 milhões recentemente na modernização de suas linhas em São Bernardo do Campo, SP, onde são produzidos caminhões e ônibus. Boa parte dos recursos foram aplicados em sistemas digitais de produção e tecnologias aplicadas na montagem dos veículos.

 

Outro fator apontado como entrave aos negócios das montadoras fora do Brasil foi a crise pela qual passou o setor de caminhões nos últimos quatro anos. Para Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-venda da VWCO, a queda nos volumes internos levou as montadoras a elevarem os custos operacionais com o enfraquecimento da cadeia produtiva: “Os componentes ficaram mais caros e o cenário inibiu novos investimentos”.

 

Hoje, seguiu o executivo durante o Congresso Latino-Americano da Indústria Automotiva, organizado por AutoData em parceria com a Prefeitura de São Bernardo do Campo, na segunda-feira, 25, a retomada do setor tornou viável novos aportes em produtos e linhas de produção, o que levou as montadoras a sustentarem as perdas no mercado interno com o volume das exportações.

 

Ainda que o cenário tenha mudado de perfil, as fabricantes atentam ainda para o fato de que a produção de caminhões do País precisa melhorar para que a indústria nacional possa competir com outros fabricantes. Christopher Podgorski, presidente da Scania Latin America, disse que veículos de alguns segmentos produzidos aqui ainda sofrem para vencerem barreiras nos mercados locais que possuem acordos de livre-comércio:

 

“É o caso do Chile, onde conseguimos entrar com veículos específicos para certas aplicações que demandam tecnologia. Há segmentos onde é muito complicado concorrer com competidores da China, por exemplo, em termos de custo e entrega”.

 

Foto: Rafael Cusato.