Indústria automotiva nacional deve buscar salto tecnológico

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CompartilheCongresso AutoData 2019
25/03/2019

São Bernardo do Campo, SP – A necessidade de evolução tecnológica da indústria automotiva no curto prazo e as dificuldades impostas pelas legislações de Brasil e Argentina foram temas em debate no Congresso Latino Americano da Indústria Automotiva, realizado pela AutoData Editora na segunda-feira, 25.

 

Em painel com o presidente da Bosch, Besaliel Botelho e Flavio Sakai, presidente da AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, Mauro Correia, presidente da Caoa Montadora de Veículos, defendeu que a indústria nacional precisa elevar o nível de qualidade dos seus produtos.

 

"Para aumentar as exportações e sermos mais competitivos precisamos subir um degrau, aumentando a tecnologia embarcada dos veículos que produzimos aqui. Ao mesmo tempo, é preciso buscar maior produtividade nas fábricas."

 

Para Botelho, mais que o salto tecnológico, as em presas do setor precisam entender a mudança que está acontecendo: "Autopeças, montadoras e sistemistas, estão se tornado empresas de tecnologia. É preciso ter atenção às alterações da indústria para acompanhar o mercado".

 

O presidente da AEA seguiu a linha de raciocínio, mas ressaltou outra necessidade do mercado: "As montadoras precisam olhar mais para o ciclo de vida dos produtos, o que não aconteceu no passado. Na hora em que surgiu a necessidade deste salto tecnológico, a crise atingiu o mercado nacional e dificultou as mudanças".

 

Com relação às dificuldades impostas pela legislação, Botelho descartou a falta de investimentos em desenvolvimento tecnológico e o poder de compra da população: "Nosso principal entrave é a cadeia de impostos e precisamos mudar isso. Acredito que o governo atual deu o primeiro passo a caminho dessas mudanças e espero que faça o que é necessário para trazer mais competitividade para a indústria".

 

Para o executivo muitas empresas do setor já poderiam exportar tecnologia e competir em outros mercados se o volume de impostos permitissem.

 

Correia disse que o governo deve encarar de frente o problema dos impostos no Brasil: "Nós exportamos impostos. Este é um grande entrave que precisa ser solucionado rapidamente para trazer mais competitividade. A reforma tributária é extremamente necessária e acho que já deveria estar em andamento".


No caso dos avanços tecnológicos nacionais, os três executivos concordaram que o Brasil "perdeu esse bonde" e o momento de receber grandes investimentos nessa área passou. Mas Sakai acredita que ainda há espaço para explorar:

 

"Precisamos achar nichos desse mercado para crescer. Temos muita competência para desenvolver softwares e podemos ganhar espaço em segmentos como o de carros conectados. No Brasil a conexão vai de 2G a 4G, com isso podemos criar sistemas que mantêm os carros conectados independentemente do nível de conexão".

 

Uma das saídas apresentadas pelos executivos foram a união de grandes empresas do setor com startups e parcerias com faculdades. Segundo Botelho a aliança de grandes companhias com empresas jovens já está acontecendo, assim como a parceria com algumas universidades.

 

Sakai também afirmou que essa integração já existe, mas que a indústria busca uma aproximação maior com as faculdades para que os profissionais formados cheguem ao mercado atendendo às necessidades e expectativas da área em que atuarão.

 

Foto: Rafael Cusato.