Fenabrave projeta vida longa ao atual modelo de negócios

Imagem ilustrativa da notícia: Fenabrave projeta vida longa ao atual modelo de negócios
CompartilheCongresso AutoData 2019
26/03/2019

São Bernardo do Campo, SP – Apostar em uma mudança completa do sistema atual de vendas em concessionárias é uma decisão arriscada na opinião de José Mauricio Andreta Junior, vice-presidente da Fenabrave. Ele foi um dos palestrantes do painel que encerrou o Congresso Latino-Americano da Indústria Automotiva, organizado por AutoData em parceria com a prefeitura de São Bernardo do Campo na terça-feira, 26.

 

Para ele, o modo de se vender carro atual ainda terá uma vida longa: “Tudo tem seu tempo. As mudanças acontecerão, mas não serão tantas e nem na velocidade em que muitos acreditam”.

 

As vendas online deverão conquistar mais espaço nos próximos anos, mas Andreta acredita que a maior parte dos consumidores não comprará um carro pelo smartphone enquanto assiste televisão sentado no sofá da sala: eles buscarão uma revenda da marca que escolherem.

 

A visão do diretor da área automotiva da consultoria argentina Abeceb, Juan Pablo Ronderos, é um pouco diferente: para ele o sistema atual não é mais tão eficiente e a rede precisa mudar o foco e o modelo de negócios. Ele, que também participou do painel, sugeriu que os revendedores apostem nas vendas online e em ações de vendas especificas. “As vendas online representarão mais de 10% até 2030. O número de concessionárias no futuro será cada vez menor”.

 

Vendas diretas – Outro tema de debate foram as vendas diretas, que estão superando a faixa dos 40% nas últimas estatísticas divulgadas pela Fenabrave. Andreta afirmou que é preciso fazer uma análise mais especifica, pois parte delas passa por uma concessionária – como quando uma nota fiscal é emitida por montadora para um comprador de veículo PCD, taxista ou produtor rural.

 

"Nessas situações os clientes vão até uma revenda para ver o veículo, entregar as documentações, mas como o faturamento é feito pela montadora a venda é computada como direta".

 

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Os carros elétricos foram outro alvo das discussões do último painel do Congresso. Para ambos os participantes ainda estão distantes de ser realidade na América Larina. "Esse setor não causará um impacto muito grande na região nos próximos 25 anos", disse Ronderos. Para Andreta, os veículos elétricos terão seu espaço em outros mercados, como China, Europa e Estados Unidos.

 

No Brasil os avanços por motorizações menos poluentes devem seguir outros caminhos, como os híbridos flex que já estão em desenvolvimento, na opinião de Andreta, enquanto na Argentina uma solução pode ser o veículo movido a gás natural, de acordo com Ronderos.

 

Fotos: Rafael Cusato.