Zarlenga sugere programa de exportação de veículos

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CompartilheCongresso AutoData 2019
26/03/2019

São Bernardo do Campo, SP – O governo federal tem em mãos sugestões para uma política que visa a atração de investimentos para a produção de veículos com vocação exportadora. O projeto apresentado pelo presidente da GM América do Sul, Carlos Zarlenga, no Congresso Latino-Americano da Indústria Automotiva, na terça-feira, 26, em São Bernardo do Campo, SP, tem como objetivo eliminar as distorções que prejudicam a competitividade do Brasil diante de outros mercados.

 

Zarlenga sugeriu que projetos com ao menos 50% do volume destinado para mercados além-Mercosul se enquadrem nesse programa. “Teriam um tratamento tributário especial. A elevação do Reintegra para 8% ou 9% já seria um bom começo, conserta metade da falta de competitividade [que o presidente calcula estar em 20%, dos quais 80% só por tributos]. O governo não abriria mão de receita, porque esses investimentos não vem. Mas eles poderiam vir”.

 

A intenção do presidente da GM é colocar no Brasil projetos de exportação que acabam sendo destinados a outros mercados, pela falta de competitividade da indústria brasileira.

 

“Como pode um País com 4,5 milhões de capacidade instalada, mercado de 3 milhões, não conseguir ter empresas lucrativas e exportar veículos? Hoje perdemos esses investimentos para a Coreia do Sul e México, que têm mercados domésticos bem menores. Não conseguimos exportar para a Colômbia, que é aqui do lado e possuímos acordo comercial, porque outros mercados são mais competitivos”.

 

A falta de lucratividade foi outro tema levantado pelo executivo, que recentemente anunciou R$ 10 bilhões em investimentos nas fábricas de São Caetano do Sul e São José dos Campos, SP. Segundo ele, para que um projeto dê bom retorno aos investimentos e elimine a questão da exposição à variação cambial é preciso que ao menos 40% do volume seja exportado.

 

“Exportar é fundamental. Precisamos derrubar alguns mitos, como o de que as empresas continuarão aqui porque o mercado é grande. Não é. O Brasil representa 3,6% da produção mundial”.

 

Para o executivo a hora de atacar essas deficiências é agora. Zarlenga demonstrou otimismo com os pacotes de melhoria da infraestrutura sinalizado pelo governo, que ataca um dos entraves para as vendas externas. Mas é apenas um dos muitos itens: “Nós não nos acertamos nem aqui na região. As discussões sobre normas comuns ao Mercosul não avançam, seguimos com custos duplicados”.

 

Fotos: Rafael Cusato.