Produção da América do Sul precisa de mais integração

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CompartilheCongresso AutoData 2019
25/03/2019

São Bernardo do Campo, SP – A integração comercial Argentina, Brasil e demais países da região foi alvo de discussão no Congresso Latino-Americano da Indústria Automotiva, realizado pela AutoData Editora na segunda-feira, 25, em São Bernardo do Campo, SP, com apoio da prefeitura. Aurélio Santana, diretor executivo da Anfavea, defendeu maior integração dos países da região e ressaltou o avanço do Brasil em alguns acordos comerciais:

 

“Esse ano iniciamos o livre comércio com o Peru e com o México, e, no ano passado, melhoramos o acordo vigente com a Colômbia, ampliando o volume de exportação. Esses contratos de livre comércio e de colaboração comercial são muito importantes para fortalecimento econômico e aumento da competitividade na região”.

 

O Brasil também possui acordo de livre comércio com o Uruguai e está negociando com o Paraguai, acrescentou Santana.

 

Cristiano Rattazi, representante da Adefa, associação que representa a indústria automotiva argentina, também defendeu a integração comercial na região. No caso de Argentina e Brasil considerou que as normas técnicas do setor automotivo precisam ser unificadas – mas lembrou que os países trabalham há mais de dez anos neste tema:

 

“Com o acordo de livre comércio com o México precisamos ser mais competitivos e uma das saídas para isso acontecer é a convergência, produzindo sob as mesmas normas, o que ajudaria a reduzir custos”.

 

Ratazzi também defendeu o fim de alguns impostos, como o de exportação, para que seja possível ser tão competitivo quanto o México, que já possui uma indústria preparada para produzir e vender veículos para outros mercados.

 

Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, associação que representa os fabricantes de autopeças nacionais, e Raul Amil, presidente da Afac, associação equivalente na Argentina, também participaram do painel e concordam com a necessidade de maior integração econômica dos países e da convergência da indústria automotiva de Argentina e Brasil. Para Ioschpe é necessário aumentar também a competitividade dos fabricantes de autopeças, mas de maneira geral:

 

“Competitividade é um problema em todas as áreas no Brasil e o processo de mudança deve ser horizontal, sem escolher setores para mudar a questão dos impostos. Também é necessário que o processo seja gradual, respeitando a competitividade atual da indústria do País”.

 

O executivo também acredita que a indústria automotiva precisa conquistar novos mercados, sem depender tanto da Argentina: “Já chegamos a exportar 28% do total produzido no País. Para este ano a projeção é de 19%, por causa da crise no país vizinho”.

 

Amil disse que para os dois países aumentarem a competitividade os governos precisam trabalhar para reduzir as cargas tributárias e ao mesmo tempo as empresas em evolução da produtividade e redução de custos: “Se essas mudanças acontecerem e novos acordos comerciais forem fechados poderemos ser uma indústria exportadora”.

 

A integração das indústrias de autopeças nos dois países também foi defendida pelos executivos e, segundo Amil, existem muitas possibilidades de negócios conjuntamente: “Em caixas de câmbio temos bom exemplo de complementariedade”.

 

Foto: Rafael Cusato