Setor automotivo está sem caixa, dizem Anfavea e Fenabrave

Imagem ilustrativa da notícia: Setor automotivo está sem caixa, dizem Anfavea e Fenabrave
Foto Jornalista Marcos Rozen

Por Marcos Rozen

CompartilheBalanço da Anfavea
06/04/2020

São Paulo – O setor automotivo nacional, compreendendo montadoras de veículos de todos os segmentos, seus fornecedores e seus concessionários, está sem caixa – ou, mais formalmente, sem liquidez. O alerta é de Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, e de Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave.

 

“Parou de entrar dinheiro”, resumiu Moraes, retrato do fechamento forçoso das concessionárias diante da quarentena imposta para combater a pandemia da covid-19. “Nossa média diária de vendas baixou de 10 mil, 11 mil, para volume em torno de 1 mil unidades.”

 

Assumpção Jr., da Fenabrave, complementou: “O resultado de março foi o pior para o mês dos últimos catorze anos e o primeiro trimestre o pior dos últimos dez”.

 

Ambos asseguram que nenhuma empresa do setor, seja pequena, média ou grande, está conseguindo obter recursos nos bancos, sejam públicos ou privados, para girar seu caixa, apesar das recentes medidas oficiais no âmbito monetário. Moraes disse que “os bancos sentaram em cima da liquidez. Não estão liberando recursos e quando o fazem não é em volume suficiente e a um custo elevado”. O presidente da Fenabrave lembrou que “não se consegue concluir uma operação nos bancos: a burocracia não deixa, e aí a roda não gira”.

 

Anfavea e Fenabrave, assim, acompanhadas do Sindipeças, apresentaram uma lista de pedidos ao Ministério da Economia com objetivo de realimentar o caixa e fazer essa roda destravar. São eles:

 

  • postergação do pagamento de impostos federais por 120 dias e, após, parcelamento destes de seis a 24 meses dependendo do porte da empresa;
  • postergação do pagamento de encargos trabalhistas; e
  • linha de crédito fácil e rápido para as empresas do setor automotivo, independente do tamanho, seja por bancos estatais ou privados.

 

Para Assumpção Jr. o parcelamento dos impostos após o vencimento da postergação é fundamental pois “se o empresário não morrer agora morre daqui a 120 dias, quando o pagamento acumular com o do mês vigente”. Ele assegurou que o setor da distribuição “não dá conta de aguentar mais trinta dias sem funcionar” pois “ainda estávamos nos recuperando da crise de 2015-2016 quando voltamos dez anos em volume de mercado e mais de 2 mil concessionárias fecharam”.

 

Moraes apelou para que a solução seja rápida: “Os bancos estão asfixiando o mercado, precisam injetar os recursos que estão disponíveis. Uma medida precisa ser tomada de maneira urgente, pois pode ser necessária ainda a aprovação do Congresso. É preciso agir antes que seja tarde”.

 

No lado das montadoras uma saída paralela seria a liberação de créditos do ICMS retidos pelos estados. Moraes diz que a Anfavea está apresentando a demanda a todos os governadores: “Já pedíamos isso, mas antes os recursos iriam para novos investimentos e agora o motivo mudou: é para alimentar o caixa das empresas”.

 

No caso das concessionárias a Fenabrave entende que outro auxílio viria na forma de autorização para que as lojas voltem a funcionar, “cumprindo todos os protocolos de segurança sanitária, com rodízio de trabalhadores e outras ações, mesmo que com isso trabalhem apenas parcialmente”.

 

Segundo Assumpção Júnior somente o governo do Distrito Federal e a Prefeitura de Ponta Grossa, PR, atenderam ao pedido por enquanto: “Há a alegação de que não precisamos abrir pois não há demanda, mas isso é uma questão nossa. O cliente nós vamos buscar”.

 

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil.