São Paulo – Anfavea e Adefa estão trabalhando em conjunto para alavancar as exportações de veículos do Brasil e Argentina e, assim, ganhar volume, produtividade e aumentar a competividade das fabricantes dos dois países. O projeto foi revelado pelo presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, e da Adefa, Daniel Herrero, no primeiro dia do 2º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana, realizado pela AutoData Editora.
Uma das áreas que as duas entidades estão focadas é na cadeia tributária: a meta é reduzir os principais entraves nos dois países até 2022 e elevar os embarques em uma região onde Brasil e Argentina ainda têm baixa participação.
Em sua apresentação Moraes disse que no ano passado a participação dos carros produzidos no Brasil em toda a América Latina – excluindo Argentina e México – foi de apenas 11,4%, em um mercado de 1,3 milhão de unidades. O presidente da Anfavea desenhou um cenário no qual, se todos os países vivessem o seu melhor momento econômico ao mesmo tempo, considerando o melhor resultado de 2005 a 2019 como base, a América Latina somaria um mercado de mais de 3,6 milhões de veículos – excluindo, novamente, Argentina e México.
"Claro que isso é só um exercício para mostrar a relevância desses mercados, porque é muito difícil que esse cenário aconteça. Mas se parte dele for realidade teremos boas oportunidades".
Possíveis acordos comerciais com mais países da região também estão no radar, pois tanto Brasil quanto Argentina não possuem nenhum tipo de acordo no setor automotivo com mais da metade dos países da América Latina, lembrou Herrero. "Precisamos avançar na região e aproveitar essa oportunidade, porque outras indústrias com grande capacidade produtiva também querem vir para cá".

Em paralelo ao trabalho para reduzir os entraves tributários ambos os executivos acreditam existir outros pontos a serem atacados: aumentar a competitividade, o crescimento interno, a integração comercial dos dois países, tornar a região um polo de exportação e acompanhar os avanços da eletromobilidade.
Para Herrero esse trabalho em conjunto com o Brasil é necessário para criar uma indústria com características globais e capaz de competir em mercados mais distantes: "Precisamos fortalecer nossa relação comercial e criar estratégias e políticas iguais para nos tornarmos um polo exportador. Existem oportunidades mais distantes, como no Norte da África".
Exportar mais tornou-se um tema ainda mais importante por causa da pandemia da covid-19, pois o mercado global deverá cair de 91 milhões de unidades em 2019 para algo em torno de 70 milhões a 72 milhões em 2020, segundo Moraes: "Esse recuo só aumentará a competição das fábricas das empresas e os países".
Fotos: Divulgação.