Abertura do 7º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana reuniu representantes de Anfavea, Adefa e Amia
São Paulo – A largada do 7º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana, realizado por AutoData, de 12 a 14 de agosto, deu a tônica do evento: o debate em torno de formas de ampliar as relações comerciais nos países da região.
O primeiro painel reuniu Martín Zuppi, presidente da Adefa, que representa as montadoras da Argentina, Andrea Serra, diretora tributária e de comércio exterior da Anfavea, e Adriana Ramírez, gerente de estudos econômicos da Amia, que congrega as fabricantes do México.
Pontos de vista partilhados foram a necessidade de fortalecimento das relações pelos três países e de haver regras claras para equalizar a competitividade com outros países, a exemplo dos asiáticos, principalmente os chineses.
“Temos de trabalhar em conjunto”, assinalou Zuppi. “É preciso equiparar-nos a outros mercados, porque se não ficamos em condições inferiores. Com uma carga tributária que nos permita estar à altura de outros países da região, como Brasil e México e, desta forma, igualar condições e fortalecer o intercâmbio comercial.”
O presidente da Adefa ressaltou ainda que qualquer problema que o Brasil, como grande cliente e provedor da Argentina, enfrente, a exemplo do tarifaço de Donald Trump, eles são diretamente afetados. Por isto a preocupação de que ambos cresçam juntos e incluam o México nesta equação.
A diferença primordial dos três é que, enquanto os países vizinhos têm 50% da capacidade instalada utilizada, com projeções de mercado de 2,7 milhões, no caso do Brasil, e de 600 mil veículos, da Argentina, no México este porcentual vai a 92%, uma vez que a maioria dos veículos produzidos localmente são exportados – de 5 milhões apenas 833 mil foram comercializados internamente de janeiro a julho, sendo 532 mil importados.
Ramírez apontou que os principais parceiros comerciais do México hoje são Estados Unidos, Canadá e Alemanha, seguidos por Brasil e Colômbia. Apesar de países da região não ocuparem o pódio, que domina 92% das exportações, ela afirmou esperar que seja possível “incrementar a cifra de países vizinhos para ampliar a integração na América Latina”.
Serra exaltou a urgência de serem identificadas formas de reduzir custos para a exportação e tornar a indústria automotiva mais competitiva, até para ampliar esses negócios: “Precisamos ter, além de regras claras, previsibilidade, para que sejam adotadas medidas e políticas a longo prazo e então possamos navegar comercialmente dentro das incertezas geopolíticas e das adversidades macroeconômicas de cada país.”
A diretora da Anfavea sugeriu soluções para elevar a competitividade por meio da busca de mercados alternativos de forma conjunta: “Eventualmente revendo pontos dos próprios acordos econômicos que possam nos fortalecer como países que já têm uma troca importante, buscando equalização regulatória”.
Regras iguais para chineses
Pedra no sapato comum a todos é a crescente presença de veículos chineses na América Latina, para a qual os executivos concordam na urgência de se estabelecerem regras isonômicas de competição, com cargas tributárias semelhantes às do mercado asiático a fim de permitir competir de igual para igual, ressaltou Zuppi.
Ramírez reconheceu que, diante do fato de a eletromobilidade ser uma tendência mundial e, inclusive, no México, serem produzidos quatro modelos elétricos e um híbrido, é importante, além da homologação de regulação para este comércio, o avanço da adoção de políticas públicas que auxiliem nesta transição.
Serra disse acreditar que o Brasil tem possibilidades de competir em igualdade de condições, e de desenvolver cada vez mais tecnologias que envolvam a eletromobilidade: “Temos de achar nosso nicho e nos fortalecermos enquanto hub de exportação, mas, para isto, é fundamental a redução de custos”.