São Paulo – O Brasil é o segundo destino dos investimentos externos da China na indústria automotiva global. Com três fábricas instaladas, as mais recentes da GWM em Iracemápolis, SP, e da BYD em Camaçari, BA, e a terceira a da Chery em Jacareí, SP, que não está em operação, o País fica atrás apenas da Tailândia, que tem quatro unidades e capacidade produtiva de 350 mil veículos/ano.
A capacidade local será de 250 mil/ano, considerando as projeções da BYD e da GWM. Os dados foram apresentados por Cláudia Trevisan, diretora executiva do Conselho Empresarial Brasil-China, durante o primeiro dia do 7º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana. De acordo com ela desde 2016 a China investe mais no Exterior do que recebe investimentos, e a América Latina é uma região muito atraente, indo além do setor automotivo:
“Hoje a China é o terceiro maior investidor estrangeiro do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Japão. Na América Latina o Brasil é o principal destino dos aportes chineses, sendo o quarto principal destino global e, atualmente, das 27 unidades federativas, 23 têm pelo menos uma operação industrial chinesa, considerando outros segmentos além do automotivo”.
Trevisan disse que esses investimentos externos mostram que a China não quer ser apenas uma exportadora de veículos para o mundo: ela pretende se posicionar em regiões estratégicas para atender parte da demanda com suas fábricas no Exterior.
É o caso de BYD e GWM, que já divulgaram a intenção de usar suas operações no País para abastecer outros mercados da região, além de outras marcas que têm interesse em investir no País, como a GAC.
Enquanto isso a China segue avançando com suas exportações: assumiu a primeira posição do ranking global de exportação de veículos em 2024, sendo que em 2016 o país ocupava a sexta posição. No ano passado exportou 5,7 milhões de veículos:
“Em 2024 o Brasil foi o quarto principal destino dos veículos produzidos na China, recebendo quase 200 mil unidades, a maior parte de modelos eletrificados. A Rússia recebeu 700 mil unidades, a maioria de veículos a combustão, e ficou na primeira posição, em segundo lugar ficou o México com mais de 300 mil unidades e os Emirados Árabes Unidos receberam pouco mais de 200 mil unidades e ficaram na terceira posição”.
Cláudia Trevisan também apresentou o gráfico de exportação apenas de veículos eletrificados produzidos na China, mas com o recorte de janeiro a agosto do ano passado, e o Brasil foi o segundo principal destino, com quase 140 mil unidades. Em primeiro lugar ficou a Bélgica, que recebeu cerca de 170 mil, e o Reino Unido aparece na terceira posição com pouco mais de 80 mil.