São Paulo – O mercado de veículos da Argentina poderá registrar até 700 mil unidades emplacadas em 2025, em um cenário mais otimista, com a demanda seguindo em alta. Mas, em cenário mais cauteloso, o volume comercializado deverá ser de 665 mil unidades.
As projeções foram apresentadas por Andrés Civetta, analista sênior para o setor automotivo da consultoria Abeceb, que participou do segundo dia do 7º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana, realizado por AutoData.
Com estas projeções as vendas na Argentina crescerão de 60% a 70% na comparação com 2024, atingindo um patamar importante: “Nos últimos anos o mercado ficou em torno das 400 mil unidades ou abaixo disso. Então, chegar às 700 mil unidades, é um bom volume, que precisa ser mantido para os próximos anos”.
De janeiro a julho foram vendidos 388,7 mil veículos, segundo dados da Acara, alta de 71,5% sobre iguais meses do ano passado, mas Civetta chamou atenção para o crescimento dos veículos importados, que no período atingiram participação de 60%. Os veículos produzidos no Brasil representaram 34% do mercado no ano passado, porcentual que subiu para 50% de janeiro a julho de 2025.
O crescimento em vendas dos veículos chineses, na sua maioria modelos elétricos, também foi destacado na apresentação. No ano passado os veículos importados da China representaram 2% das vendas, e em 2025 chegarão a 3%. Para os próximos cinco anos a projeção é de que as marcas chinesas tenham 10% do mercado argentino.
A expansão do mercado argentino em 2025 está sendo puxada por fatores como a recuperação da oferta de modelos disponíveis, principalmente dos importados, após o fim das restrições para importação e maior disponibilidade de financiamentos, que até agora representaram 50% das vendas, porcentual que variava de 30% a 40% no ano passado.
A recomposição do poder de compra dos argentinos também foi elencada como razão para a retomada da demanda por automóveis e outros bens duráveis e, segundo o analista, o cenário deverá ser mantido para o ano que vem.
Para a produção a projeção da Abeceb é de crescimento de 6,2%, bem abaixo do mercado, chegando a 612 mil unidades produzidas. Este avanço será puxado pela demanda interna, uma vez que as exportações deverão recuar 0,9%, somando 323 mil unidades.
Caminhões
De janeiro a julho o mercado de caminhões na Argentina cresceu 90% e a expectativa da Abeceb é de que as vendas cheguem a 27 mil unidades até dezembro. O incremento no ano está sendo puxado por segmentos como mineração, petróleo e gás, que estão com alta demanda por veículos de trabalho, assim como o agronegócio, segmento que tradicionalmente impulsiona a venda de caminhões.