São Paulo – Após um longo período de dificuldades a estabilidade devolve boas expectativas ao mercado automotivo argentino, disse Sebastián Beato, presidente da Acara, Associação de Concessionários de Automotores da Argentina, durante o 7º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana, realizado por AutoData de 12 a 14 de agosto.
Há um ano a Argentina enfrentava inflação mensal de 25%, que hoje está em 1,5%.
“Poucos países na América do Sul vivem essas transformações tão rápidas quanto nós. Conseguimos passar as vendas de 400 mil unidades anuais para cerca de 600 mil.”
Em sua apresentação Beato dividiu a Argentina em períodos distintos: a média de vendas de carros de 2010 a 2018, que foi de 750 mil unidades, e a redução para cerca de 400 mil de 2019 a 2023 devido a fatores como a pandemia, fechamento de fronteiras e escassez de moeda estrangeira.
Em 2024 houve dificuldades mas o mercado começou a se recuperar, até chegar a apresentar o crescimento expressivo de quase 70% nas vendas em 2025, impulsionado pela economia mais estável, com redução da inflação e pela retomada do crédito, que atualmente financia cerca de 60% das vendas.
A projeção para 2025 é a venda em torno de 615 mil unidades, com expectativa de crescimento contínuo até 2030, chegando a cerca de 750 mil veículos por ano.
“Acredito que 2024 foi o ano mais imprevisível para o mercado argentino: em seis meses saímos de uma situação ruim para uma melhora significativa no segundo semestre. Em 2025 temos um cenário mais favorável: há um aumento de mais 70% nas vendas até agora, exatamente 74%.”
Crescimento também traz desafios
Dentre os desafios o presidente da Acara cita aumentar a eficiência operacional das montadoras diante do crescimento e das margens cada vez menores no varejo tradicional: “As empresas precisarão adaptar suas estruturas para lidar com o aumento da concorrência tanto dos veículos importados quanto dos modelos das marcas tradicionais com melhor qualidade. Além disto será necessário expandir os negócios dentro das concessionárias pela diversificação, oferecendo novos serviços além da venda do carro propriamente dita.”
Será fundamental, segundo Beato, melhorar significativamente o uso da tecnologia e das informações sobre os clientes: sair do modelo tradicional focado apenas na venda do carro para oferecer serviços complementares como pós-venda, seguros, financiamento alternativo e modalidades inovadoras como leasing ou assinatura veicular.
“Estamos investindo em ferramentas digitais avançadas como plataformas online, por exemplo, em chatbots, que possibilitam contato com clientes 24 horas por dia. Assim conseguimos ampliar nossa presença digital e entender melhor as necessidades dos consumidores modernos, algo essencial num mercado cada vez mais dinâmico e competitivo na Argentina e na região como um todo.”
Carros brasileiros
Quando questionado se os veículos importados do Brasil podem perder espaço para chineses, que entram na Argentina isentos de tarifas por acordos comerciais locais e valores FOB próximos a US$ 16 mil, o presidente da Acara disse não enxergar tal tendência.
“Acredito que as vendas brasileiras continuarão crescendo. O volume aumentará porque a economia argentina está se recuperando, há crescimento nos financiamentos, estabilidade nos preços e aumento nos salários. Para comprar um carro você precisa de cerca de dezessete salários e este número deve cair. Isso impulsionará o volume de vendas por locação ou leasing também. Portanto não acredito que haja uma perda significativa na participação dos carros brasileiros. Ao contrário: o mercado deve ampliar sua base.”
Para o executivo foi positivo passar por um período turbulento porque ele preparou melhor o país para um cenário mais estável em alguns anos: “Apesar das transformações constantes, que fazem parte desse processo, há motivos para acreditar num cenário positivo adiante”.