São Paulo – As exportações de veículos brasileiros para o México caíram quase pela metade em vinte anos: em 2005 foram comercializadas, lá, 219 mil 941 unidades fabricadas aqui, e em 2024 este volume recuou para 121 mil 157 unidades, 45% a menos. Considerando as vendas do Mercosul, Brasil e Argentina, as 248 mil 99 unidades de 2005 encolheram 47%, para 131 mil 928 no ano passado. Duas décadas atrás representavam 34% do volume importado e, em 2024, a participação recuou para 13,4%.
Foi o que apresentou Guillermo Rosales Zárate, presidente executivo da AMDA, Associação Mexicana de Distribuidores, durante o 7º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana realizado por AutoData de 12 a 14 de agosto.
“Há de se considerar que as importações da China, àquela altura, eram praticamente inexistentes”, afirmou Zárate. No ano passado, sozinho, o país asiático representou 31% das 986 mil 47 unidades importadas. A segunda maior origem está no Mercosul e, na sequência, Estados Unidos, com 13%. Japão, Índia e Tailândia também têm participações importantes.
Em 2005, das 725 mil 637 unidades, a liderança cabia ao Mercosul, seguido de perto por Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul.
O mercado mexicano, nas palavras de Zárate, é sui generis, uma vez que no ano passado produziu 4 milhões de unidades, sendo 90% disto exportados, e recebeu quase 1 milhão de unidades procedente de diversos países. Para este ano a projeção é de que sejam vendidas internamente 1,5 milhão de unidades, sendo apenas 500 mil correspondentes a veículos nacionais.
“Esta realidade é sustentada por dois pontos, um deles a abertura de mercado por meio de acordos comerciais que isentam a cobrança de impostos e, outro, em decreto que prevê que até 10% do número de veículos fabricados no ano anterior pode ingressar no México livre de tributos. É o que acontece com China, Índia e Tailândia.”
Enquanto os embarques de picapes e SUVs, veículos preferidos dos mexicanos, brasileiros perderam espaço para opções asiáticas os envios de veículos pesados de 2018 a 2025, até julho, ampliaram sua participação no mercado mexicano, de 14% para 27%. No acumulado dos sete meses deste ano o Brasil exportou 1 mil 48 unidades. Ficou atrás apenas do Japão, com 1,7 mil e 44% de participação.
Ou seja: há janela de oportunidades a serem exploradas com o México, principalmente frente ao tarifaço de Donald Trump. Zárate apenas externou preocupação ao citar que 20% das vendas nos Estados Unidos são de veículos mexicanos, e o aumento do protecionismo pode impactar negativamente nos investimentos e, consequentemente, no mercado.
“Acreditamos que 2025 e 2026 serão igualmente complicados. Ainda mais que no ano que vem haverá a renegociação do Temec, Tratado que reúne México, Estados Unidos e Canadá.”
O acordo de livre comércio entrou em vigor em 2020 em substituição ao Nafta.