BorgWarner nacionalizará produção do start-stop

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Foto Jornalista  Bruno de OliveiraFoto Jornalista Caio Bednarski

Por Bruno de Oliveira

e Caio Bednarski

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28/03/2019

São Paulo – A BorgWarner prepara investimento em sua fábrica no Brasil após a conquista de novos contratos de fornecimento para o mercado OEM. Ainda este ano expandirá a produção de turbos em Itatiba, SP, e passará a produzir localmente o sistema start-stop em Brusque, SC. O board da companhia, sediada em Detroit, MI, esteve reunido com diretores da filial brasileira na semana passada para acertar o aporte, ainda indefinido. As montadoras com as quais firmou contrato também seguem em segredo.

 

O valor será definido na semana que vem, quando Vitor Maiellaro, diretor geral da operação brasileira, seguirá para os Estados Unidos para definir os pormenores com a matriz: “Depois que fecharmos o tamanho do aporte será possível falar sobre quantas unidades a mais de turbos produziremos no Brasil”.

 

O turbo flex que será fornecido para os novos contratos é bem similar ao que a empresa já dispõe na região para os veículos Volkswagen. No ano passado a BorgWarner produziu 100 mil unidades na fábrica paulista para atender à demanda VW, que cresceu com o lançamento do SUV compacto T-Cross.

 

A produção local do sistema start-stop, por sua vez, tornou-se viável para atender a um cliente local, disse Maiellaro. A localização dos componentes, seguiu o executivo, chega em momento em que as montadoras estão decidindo as tecnologias que utilizarão nos lançamentos para atingirem as metas de eficiência estipulada pelo Rota 2030, a nova política industrial do setor automotivo: “O que temos visto nos clientes é uma tendência de mix de tecnologias com base nos motores três cilindros. Ninguém deverá oferecer apenas uma opção”.

 

Na fábrica de Brusque, fruto de aquisição da Remy International, em 2015, são fabricados motores de partida para veículos Hyundai e General Motors e também para caminhões. Segundo a BorgWarner a capacidade instalada da unidade catarinense é de 1,2 milhão de motores de partida/ano. Há no local, ainda, um centro de distribuição de componentes.

 

A expectativa da empresa é a de que os novos contratos resultem este ano em crescimento no faturamento de até 15% na comparação com a receita obtida em 2018, valor que a empresa não informa no seu balanço local, apenas regionalmente. Afora o volume extra dos novos negócios a companhia enxerga tendência de alta na aplicação de start-stop e turboalimentadores nos motores a combustão no mercado brasileiro e mundial.

 

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Estudo produzido pela empresa mostra que até 2027 os turbos estarão presentes em 59% dos automóveis vendidos no mercado mundial. Em 2017 esta fatia foi de 43%. Já no caso do sistema start-stop a projeção do levantamento da BorgWarner mostra um salto na participação de 42%, em 2017, para 65%, em 2027. Com base neste cenário a empresa espera reflexos no seu faturamento global, que poderá chegar a US$ 14 bilhões em 2023.

 

A alta cúpula da companhia enxerga no mercado brasileiro a oportunidade de sustentar as vendas globais de componentes para aplicação em motores movidos a combustão interna. Segundo Scott Gallett, vice-presidente global de marketing, há a esperança de que o start-stop, por exemplo, seja um item massificado na próxima geração de veículos e não apenas um opcional disponível na gama alta das montadoras: “É uma tecnologia barata. Esperamos que o Brasil tenha regulamentação para que as montadoras apostem no sistema”.

 

Foto: Divulgação.