São Paulo – A valorização de mais de 30% do dólar sobre o real no ano e o avanço das novas tecnologias automotivas trazem desafios e oportunidades para montadoras e seus fornecedores. O tema foi debatido por Celso Simomura, vice-presidente de engenharia e compras da Toyota, Marcos Gisoldi, gerente sênior de compras da Mercedes-Benz, e Ivan Witt, diretor de serviços compartilhados, responsável pela área de compras, TI e Recursos Humanos da Caoa Montadora, que participaram do segundo dia do 2º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana, na tarde da terça-feira, 1º.
Segundo Simomura a área de compras da Toyota já opera de maneira regional, avaliando as melhores opções na América Latina e Caribe, mas com grande parte dos seus fornecedores instalados no Brasil e na Argentina. E que, com o dólar mais alto, é possível aumentar a nacionalização de componentes: "Poderemos acelerar um pouco esse processo, que também será puxado pelo avanço das novas tecnologias elétricas. Esse cenário abre oportunidades e traz desafios por causa dos custos e da escala necessária".
Gisoldi afirmou que a Mercedes-Benz tem estrutura de trabalho parecida, com parte de sua equipe de compras instalada na Argentina, para acompanhar de perto a operação dos fornecedores e para avaliar possíveis localizações para não sofrer com o câmbio. Com relação ao avanço das tecnologias elétricas o executivo acredita que, no segmento de pesados, acontecerá de maneira mais lenta e com desenvolvimento global: "Os investimentos são muito altos e deverão ser realizados de maneira conjunta, porque localmente é muito complicado fazer sozinho. Mas os fornecedores terão oportunidades de entrar em projetos globais".
A Caoa Montadora, que compra peças para veículos Hyundai e Caoa Chery, tem situações diferentes: para a montadora coreana Witt disse que trabalha com índice nacionalização que varia de 35% em um SUV a até 80% em um comercial leve: "Nacionalizar os componentes da Hyundai foi um pouco mais fácil. No caso da Caoa Chery a conta para localizar componentes que importamos da China é mais difícil de fechar, mas estamos procurando parceiros em algumas áreas".
Ele disse que a meta é sair de 8% de nacionalização nos veículos Caoa Chery para algo em torno de 15% em breve, mas não estipulou prazo. Lembrou, também, que em alguns casos não é viável: "No caso da estamparia, por exemplo, considerando o custo de investimento, o tempo de vida do produto no mercado e o volume de produção não vale a pena investir: é melhor seguir importando da China".
Foto: Reprodução.