São Paulo – As empresas brasileiras fabricantes de motocicletas só têm motivos para comemorar quando se fala no mercado interno, com recorde de 1 milhão 570 mil unidades produzidas em 2023 e projeção de 1 milhão 690 mil para este ano. Mas quando o tema é exportação o quadro é exatamente o oposto, como contou Marcos Antônio Bento, presidente da Abraciclo, no Congresso Latino-Americano de Negócios do Setor Automotivo, organizado por AutoData.
Segundo ele a fatia das exportações vêm caindo significativamente, mesmo com o Brasil tendo vendido para 57 países ao longo dos últimos dez anos: “Em 2017 chegamos a ter 9% da nossa produção destinada para mercados externos, mas no ano passado este share foi de apenas 2,1%”.
A crise econômica na Argentina joga tem papel importante neste processo de decadência pois, se a nação vizinha chegou a representar 69,6% das exportações de motocicletas em 2018, esta participação atingiu 27,7% em 2023. E este índice não deve passar da casa de 30% neste ano, mesmo com um início de reaquecimento do mercado de lá.
Mas o maior fator é a proliferação de motos asiáticas, predominantemente chinesas, nos países da América do Sul: “São produtos atrasados, que poluem muito mais do que as motocicletas brasileiras, mas ganham espaço pelo custo menor”.
A China hoje é a principal exportadora para a região, com 62,5% de participação com relação ao valor de negócios. Apesar da proximidade geográfica o Brasil está apenas em terceiro nesse ranking, com 4,4%, bem atrás até mesmo da vice-líder, a Índia, 15%.
O representante da Abraciclo afirmou que a falta de harmonização regulatória dos países sul-americanos é o maior desafio para o setor, pois só o Brasil está alinhado aos principais mercados mundiais com relação à tecnologia. De acordo com ele as motos produzidas aqui são mais avançadas não apenas em emissão de poluentes mas também em segurança, consumo e dirigibilidade.
“Além disso também precisamos de mais investimentos em logística e infraestrutura para ter acesso a países vizinhos estratégicos como Argentina, Colômbia e Peru e para evoluir os acordos comerciais dentro da região.”
Em resumo o Brasil tem um mercado interno forte e produtos de alto nível tecnológico, contudo hoje falta competitividade diante de motocicletas defasadas da Ásia: “Apesar de tudo temos orgulho por exportarmos produtos de qualidade e queremos vencer esta batalha com tecnologia”, ponderou. “A pressão pela descarbonização chegará aos demais países da América do Sul e o consumidor não mais aceitará motos obsoletas. Tenho certeza de que o Brasil está na rota certa”.