São Paulo – O mercado automotivo mostra crescimento expressivo, impulsionado por algumas categorias de veículos e com boa expectativa do programa Carro Sustentável. Seria suficiente para a Fenabrave rever as projeções do ano? Esta e outras questões foram analisadas pelo presidente Arcélio Júnior no 7º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana, realizado por AutoData.
O segmento de automóveis e veículos comerciais leves, por exemplo, teve um crescimento acumulado de 4,4%, e espera que seja beneficiado pelo programa Carro Sustentável, iniciado há pouco mais de um mês.
Da mesma forma, o segmento de ônibus apresentou aumento de 18%, em grande parte devido ao programa Caminho da Escola. As motocicletas são outro ponto de destaque, com a previsão de que as vendas ultrapassem a marca de 2 milhões de unidades pela primeira vez na história.
No entanto, nem todos os segmentos estão em alta. O desempenho do mercado de caminhões foi negativamente afetado pelas altas taxas de juros, resultando em queda de cerca de 4%, de janeiro a julho. A situação é ainda mais grave para os implementos rodoviários, que sofreram redução de quase 20%. Esta queda se deve tanto aos juros elevados quanto à prioridade das transportadoras em renovar suas frotas com veículos mais eficientes em vez de adquirir novos implementos.
As projeções para o fim do ano indicam aumento moderado de cerca de 6,2% para o mercado total, que deve fechar com aproximadamente 4 milhões 886 mil veículos vendidos, somadas todas as categorias, incluindo motocicletas e implementos rodoviários.
Para os segmentos leves a Fenabrave prevê aumento de 5% e de 10% para motocicletas. A previsão é de queda de 7% para caminhões e mais de 20% para implementos rodoviários.
A ascensão dos veículos eletrificados é tendência clara no Brasil, com crescimento acumulado anual de 47%. A categoria de híbridos se destaca, com avanço de 73%, impulsionado principalmente por automóveis e comerciais leves. Curiosamente, apesar do crescimento geral, os caminhões eletrificados registraram redução de 30%, embora ainda representem uma pequena parcela do mercado.
Apesar do crescimento recente o mercado de automóveis ainda está cerca de 28% abaixo do volume de 2012: “Ou seja: nós estamos com um déficit de vinte anos”.
Projeções mantidas, por enquanto
Desde janeiro a projeção de crescimento de 5% para o setor de automóveis estimado pela Fenabrave permanece inalterada, resultado de uma metodologia que combina consultoria econômica, inteligência de mercado e análise de uma vasta base de dados.
“Dependendo dos juros, com possibilidade de antecipação da queda ainda neste ano, há a possibilidade de revisão deste porcentual para cima.”
Reforma tributária vai tirar vantagem da venda direta
Sobre o faturamento direto, termo que a Fenabrave diz que adotará ao se referir às vendas diretas, Arcélio Jr indicou que as locadoras representam apenas 30,5% de um total de 50,3%, enquanto o varejo corresponde a 49,7%, de janeiro a julho. O restante do que é registrado como faturamento direto, produtores rurais e frotas de empresas, é beneficiado por uma vantagem fiscal.
“Nós acreditamos que com a nova reforma tributária este faturamento direto perderá importância ao longo dos tempos”.
Renovação de frota deve começar pelos pesados
A renovação de frota é a prioridade número 1 da Fenabrave, que reconhece a complexidade do tema e a necessidade de um fundo para subsidiar o programa. Inicialmente Arcélio Jr disse que o foco será na renovação de caminhões, ônibus e implementos rodoviários, com planos de expandir posteriormente para automóveis, motocicletas e máquinas agrícolas após comprovação prática do programa.
A iniciativa é liderada pela Fenabrave em parceria com nove entidades e o MDIC, com reuniões semanais para discutir o assunto, que exige trabalho e negociação. A expectativa é que o programa seja implementado ainda este ano.