Nas motos, evolução de 10% em 2018 e 5% em 2019

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16/10/2018

São Paulo – A indústria de motocicletas no Brasil crescerá na ordem de 10% este ano, mas a indústria contém qualquer euforia vista em outros momentos, como por exemplo em 2011, quando atingiu 2 milhões de unidades produzidas. Durante painel específico do segmento promovido no segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2019, a terça-feira, 16, em São Paulo, Capital, a Abraciclo mostrou-se animada porém, ao mesmo tempo, cautelosa para cravar a quebra da barreira de 1 milhão de motos produzidas no País no ano que vem.

 

“Estamos em um patamar de crescimento e devemos chegar a 980 mil unidades produzidas este ano. Em setembro registramos alta de 19% no comparativo anual. A demanda está aquecida”, afirmou Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, associação que reúne as fabricantes do segmento.

 

Este volume representaria alta de 10% na produção em 2018 ante 2017. Para 2019 Fermanian estimou crescimento de 5%, "no mínimo", o que, entende, “já seria de bom tamanho”.

 

De 2011 para cá, recordou, a retração foi muito grande. “O segmento sofreu queda sobre queda, e ainda estamos longe da capacidade instalada na Zona Franca de Manaus.”

 

De acordo com Oscar Pires de Castro Neto, diretor da Yamaha, também participante do painel, a rede de concessionárias ainda se adapta para trabalhar com esse menor volume, ao mesmo tempo em que o setor enfrenta custo elevado de frete.

 

As exportações foram fortemente afetadas com a crise na Argentina, e não há perspectivas de melhoras tão cedo. De acordo com Fermanian o país vizinho é o principal destino das nossas vendas externas, representando de 70% a 75%. “Gostaríamos de exportar mais, a outros mercados, mas tudo depende do custo. O Brasil tem questões logísticas complexas.”

 

Outro ponto delicado é a concessão de crédito: pelos cálculos da Abraciclo apenas 20% dos interessados conseguem aprovação de ficha. Uma das razões é a necessidade de comprovação de renda, dificultada em um mercado de trabalho cada vez mais informal. “O futuro do crédito transita em um desafio estatístico. É preciso encontrar uma maneira de cruzar informações do mercado e conceder crédito saindo do tradicional.”

 

Neto, da Yamaha, citou neste item as taxas subsidiadas pelo banco da montadora, a oferta por concessionários de venda parcelada por cartão de crédito e até o próprio lojista fazendo o financiamento por sua conta e risco.

 

Já o desafio da eletrificação ainda é um exercício para o futuro: “Existem marcas com alguns protótipos e desenvolvimento de produtos. Mas a bateria ocupa um grande espaço na moto”, avaliou Fermanian. Para ele as motocicletas elétricas deverão chegar em um momento seguinte à eletrificação dos automóveis. E lembrou que “desde 2009 temos a motocicleta flex, que hoje responde por quase 70% de nossa produção e é mais benéfica ao meio ambiente”.

 

Para a Yamaha as montadoras estão debruçadas atualmente sobre o etanol e não na eletricidade. “A indústria se preocupa com o descarte das baterias, a questão do espaço dela na moto e a autonomia limitada.”

 

Foto: Rafael Cusato