São Paulo — O mercado automotivo chileno, um dos principais destinos de veículos produzidos no Brasil ao lado de Argentina, México e Colômbia, poderá retomar seus volumes após o plebiscito que definirá modificações na Constituição. Há a expectativa de que, passado o referendo e a pandemia, o ambiente de negócios volte a se tornar um dos mais atrativos aos investimentos estrangeiros.
Segundo Diego Gómez, diretor jurídico da Câmara de Comércio Brasil-Chile, até lá o mercado seguirá experimentando retração, sobretudo o de veículos: "Há incerteza por todos os lados hoje no Chile, por causa do plebicito. Passada esta fase os investimento devem voltar, assim como o interesse do chileno por veículos novos", disse na quinta-feira, 3, no 2º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana, organizado pela AutoData Editora.
As projeções para o mercado chileno para o ano indicam queda de 45,5% nos licenciamentos na comparação com o volume registrado em 2019. Até julho foram emplacados no país, de acordo com balanço da Anac, 114,2 mil veículos.
Gómez versou durante o evento sobre dois cenários que poderão animar as fabricantes de veículos que mantêm produção no Brasil. O primeiro trata da inclinação que o chileno tem por veículos de maior porte, algo denominado por ele como estilo estadunidense — em outras palavras, trata-se dos SUVs, que não apenas nos Estados Unidos fazem sucesso, mas também no mercado brasileiro. Considerando os lançamentos recentes no Brasil, a maioria de veículos que pertencem ao segmento, o Chile passaria a ser, em tese, um mercado a ser melhor explorado.
O outro cenário diz respeito ao mercado de usados. O Chile, disse Gómez, instituiu severas regras no campo das emissões veiculares. A situação criou um mercado de reposição forte no país, uma vez que os proprietários de veículos se veem em meio à obrigação de fazer a manutenção de seus veículos dadas as pesadas multas aplicadas àqueles que circulam com veículos em más condições.
"No Chile temos muitos veículos antigos. Se os componentes produzidos no Brasil conseguirem entrar no país com preço bom eles poderiam pegar fatia do mercado importante e colaborar com essas modificações necessárias para que se mantenham dentro da legislação", contou Gómez durante sua apresentação online.
O Chile é um dos mercados mais abertos do mundo e esse perfil impõe forte concorrência de produtos locais e outros de origem asiática no segmento da reposição.
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