São Paulo – “Nosso olhar é de otimismo, com moderação."
Este é o espírito com que a indústria automotiva encara os desafios do ano que vem, segundo Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, que abriu o Congresso AutoData Perspectivas 2022, na segunda-feira, 18, em transmissão on-line. O otimismo vem do avanço da vacinação contra a covid-19, que já diminui a taxa de contágio e o número de doentes no País e que, aos poucos, faz a economia se reaquecer.
“A porcentagem de vacinados é importante. Já temos cerca de 50% da população com a segunda dose. A doença foi a origem do problema, e a vacina é a origem da solução. Com a saúde da população sob controle voltam os serviços, os eventos, o turismo. Isso faz a economia rodar, gera empregos em vários setores.”
Outro aspecto positivo apontado por Moraes é a demanda reprimida em 2021 que deve ser atendida no ano que vem: “Teremos a safra que deve ser recorde no setor agrícola, o que é bom para a área de veículos comerciais leves. A retomada do turismo ajuda na produção de ônibus”.
Apesar do cenário se apresentar menos nebuloso para 2022 o presidente da Anfavea apontou questões-chave que revelam que o tempo ensolarado com céu de brigadeiro não se abrirá de vez para a indústria automobilística. E os principais entraves são a crise da falta dos semicondutores, a instabilidade do ano eleitoral, a perspectiva de inflação e juros altos e o PIB, que deve ser baixo.
“Semicondutores são a maior preocupação principalmente no primeiro semestre. É uma questão que não afeta só o setor automobilístico, pois atinge a indústria em geral. Para o futuro precisamos não depender tanto da produção vinda de uma só região. É algo que tem que ser pensado do ponto de vista geopolítico”, disse Moraes, que também se mostrou preocupado com o poder de compra dos consumidores. “Tudo indica que o PIB do ano que vem vai ser um pibinho. Isso mais a inflação e os juros altos afetam diretamente a capacidade de compra do brasileiro.”
E o presidente da Anfavea considera "crítico" o ano eleitoral: “A eleição não pode parar a economia. Não consigo aceitar que o Congresso desvie o foco apenas para a corrida eleitoral. Precisamos votar as questões importantes para o País”.
Com desafios e ponderações Moraes terminou seu painel revelando que a indústria automobilística pensa em 2022 e além: “Temos como pilar a descarbonização do setor, trabalhando para direcionar investimentos e colaborar com as políticas públicas. Outro pilar é o foco na reforma tributária, buscando um sistema mais equilibrado, compatível com os de países mais desenvolvidos”.
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