São Paulo – Líderes de duas das maiores fornecedoras da indústria automotiva no Brasil acreditam que, em 2022, o crescimento do setor será moderado, em torno de 10%, e não esperam corrida acelerada para a eletrificação no País. Fréderic Sebbagh, presidente do Grupo Continental, e Raul Germany, presidente da Dana, participaram do quarto dia de painéis do Congresso AutoData Perspectivas 2022 e exaltaram a tecnologia do etanol, dominada pelo Brasil.
Para eles o estágio atual do setor não permite que se fale em números de crescimento com muita convicção, como observou Germany: “O cenário está muito adverso. Estamos longe de recordes de crescimento dos últimos sete anos”.
Além da crise mundial causada pelo coronavírus o setor automotivo mundial passa por mudança de base energética, com a corrida para a eletrificação dos motores. Mas os executivos afirmam que esse processo não é uniforme no mundo, nem no tempo de adequação da frota nem na matriz energética. E o Brasil pode ganhar com isso.
“Não temos claro qual é a matriz energética que o Brasil adotará. Temos uma base de clientes que de fato está indo na direção da eletrificação, mas também outra base mais questionadora que pensa em soluções mais adequadas para o País, como o etanol, por exemplo”, disse Sebbagh. "Essa é uma matriz que o Brasil domina e pode ser uma solução para veículos híbridos. Estamos vendo que ainda há uma reflexão sobre o tema, mas ainda não temos uma clareza de qual vai ser o caminho.”
Para Germany muita coisa mudará na questão da matriz energética: “Ainda estamos na infância dessas novas fontes de energia e pode haver rupturas tecnológicas. No Brasil enxergamos os veículos comerciais acelerados para a eletrificação, principalmente os leves urbanos, os ônibus, produtos que têm apelo forte na questão da sustentabilidade. O custo, contudo, é um grande desafio. Aí estamos falando de subcomponentes do sistema elétrico que ainda precisam amadurecer. Precisam de uma escala de produção alta para alcançar um custo aceitável. O mercado de híbridos tem um custo muito mais compatível com a nossa realidade econômica”.
Neste ponto a engenharia brasileira pode se destacar na mudança de matriz energética: “Fomos inovadores e revolucionários quando lançamos o etanol e depois o carro flex. São tecnologias de emissões menores e com baixo custo, com segurança”, disse o presidente da Dana.
Sebbagh acredita que “o Brasil poderia se aproveitar do conhecimento que temos. O Brasil tem que se integrar aos grandes players do mercado no setor da mobilidade para ter essa tecnologia reconhecida nos demais mercados como uma alternativa para a eletrificação. Aqui temos conhecimento e preparo para aproveitar essa tecnologia, o que não acontece nos demais países”.
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