São Paulo – “Posso dar a projeção até amanhã”, brincou Pablo Di Si, presidente da Volkswagen para a América Latina, em sua apresentação ao Congresso AutoData Perspectivas 2022, na quinta-feira, 21, por transmissão on line. O descompasso de entregas de semicondutores, falta de contêineres, de navios e de problemas logísticos prejudica a visão maior de longo prazo, na sua avaliação. De toda forma apostou em crescimento “de 5% a 10% sobre 2021, que pode chegar de 2 milhões a 2,1 milhões de veículos, dependendo da disponibilidade de semicondutores”.
Ele aposta na continuidade da demanda forte por mais alguns meses. Na sua avaliação as pessoas que deixaram de viajar estão investindo em carros. Mas alertou para a inflação, que pode interromper essa procura mais forte: “Os aumentos de preços chegarão ao bolso do consumidor em algum momento. Acredito que no fim do primeiro semestre a demanda e a oferta ficarão mais equilibradas”.
De toda forma existe a confiança da matriz VW no mercado brasileiro, traduzida na aposta de criar um Centro de Desenvolvimento para Biocombustíveis no País. É uma visão de longo prazo para dar alternativa à operação local que, na visão de Di Si, não caminhará no mesmo ritmo dos mercados mais desenvolvidos rumo à eletrificação.
“Nós teremos elétricos, sim, mas eles conviverão com os veículos flex e os híbridos flex. Não podemos desprezar o que o Brasil tem de melhor, que é o etanol. A Volkswagen está desenvolvendo o seu híbrido, que poderá rodar, também, com etanol”.
Di Si almeja voos mais altos, inclusive, com o Brasil exportando a tecnologia para outros mercados que, segundo ele, também passarão por soluções intermediárias antes de avançar para a eletrificação total.
Outro exemplo do apoio da matriz para a operação nacional está em um novo ciclo de investimentos: Di Si espera a visita do presidente da Volkswagen, Ralf Brandstätter, nas próximas semanas para anunciar o plano.
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