São Paulo – Depois de dois anos muito bons para quase todos os mercados automotivos da América Latina, com os principais registrando crescimento das vendas, 2023 tem apresentado cenário diferente segundo Martin Bresciani, presidente da Aladda, Associação Latino-americana dos Distribuidores de Veículos Automotores. Ele participou do primeiro dia do 5º Congresso Latino-americano de Negócios do Setor Automotivo, realizado pela AutoData até a sexta-feira, 15.
Até julho os mercados registraram movimentos bem diferentes: “Temos muitas luzes e sombras na região, com Argentina, México, Peru e Equador crescendo e indicando projeções de alta para 2023, enquanto no Brasil a expectativa é de um resultado parecido com o do ano passado. Chile e Colômbia possuem projeções negativas para o ano, após um primeiro semestre de queda nas vendas”.
Para ele o Chile é o país da região com o maior número de problemas para conseguir recuperar suas vendas, que deverão encerrar o ano com queda de 30% caso o mercado local não consiga reverter parte da retração acumulada. A maioria das marcas, hoje, está perdendo dinheiro ou faturando apenas o suficiente para pagar seus custos, cenário que preocupa e demanda muito trabalho para que as previsões para 2024 sejam um pouco melhores.
O mercado automotivo chileno está sofrendo com falta de crédito para financiamentos, que representam 50% das vendas anuais, e as altas taxas de juros praticadas. Problemas políticos também afetam os negócios. “Os políticos estão mais preocupados em suas disputas pessoais do que com projetos econômicos para recuperação do país”.
Com relação ao futuro dos negócios na região o presidente entende que os concessionários precisam investir na digitalização de seus negócios, para chegar até os clientes: “Hoje o consumidor quer ter tudo na mão, por meio do seu smartphone, e quem não conseguir atender a essa demanda do cliente, com informações rápidas e completas, ficará de fora”.
A presença cada vez maior dos veículos chineses na região também é uma realidade, com as marcas avançando em mercados nos quais ainda não estavam tão presentes, caso do Brasil, onde algumas empresas estão até instalando fábricas para produzir híbridos e elétricos. É neste segmento que as marcas chinesas e asiáticas deverão conquistar a maior parte de seus clientes na região, tornando-se os principais fornecedores de eletromobilidade impulsionados pelos preços competitivos.