São Paulo – A Argentina vive um dos momentos mais delicados de sua economia, às vésperas de eleição presidencial, com inflação batendo nos 120% ao ano, escassez de dólares, restrição às importações e a aplicação do imposto PAIS, Para uma Argentina Inclusiva e Solidária, com alíquota de 7,5%, para veículos e autopeças importados, inclusive do Brasil, o que encarece os preços dos 0 KM. A despeito das dificuldades, porém, o mercado automotivo local deverá crescer 8% este ano com relação a 2022, com 440 mil emplacamentos.
Foi o que apontou o presidente da Acara, Associação de Concessionários da República Argentina, Sebastián Beato, durante participação no 5º Congresso Latino-Americano de Negócios do Setor Automotivo, realizado por AutoData até a sexta-feira, 15.
Outra curiosidade é que, justamente pela maior dificuldade em dispor de dólares e comprar veículos importados, de 2019 a 2023 a participação dos importados na venda de 0 KM caiu pela metade, de 71% para 35% – sendo que 85% dos veículos estrangeiros são brasileiros. No fim do ano passado esta participação era de 43%, somando 173,3 mil unidades, sendo a Toyota a marca com maior número de importados, 59,3 mil ou 34,2%, seguido por Ford, com 15,5 mil ou 9%, e de Chevrolet, com 14,9 mil ou 8,6%.
Nesse mesmo período, de 2019 para cá, os preços aumentaram até 86%, caso dos modelos Fiat, 82% os da Volkswagen e 78% os da Jeep. E o mercado argentino encolheu pela metade, destacou Beato, ao citar que em 2018 foram emplacadas 802,6 mil unidades. Neste cenário o trabalhador de empresas privadas teve de desembolsar nove salários a mais para adquirir um carro novo:
“No começo de 2020, quando teve início a pandemia, eram necessários em torno de dezessete salários médios e, hoje, são precisos 26 salários, o que gira em torno de 310 mil pesos argentinos.”
Na conversão para o real a média salarial é de R$ 4.376,65 que, multiplicada por 26, resulta em R$ 113,8 mil. Entretanto, multiplicado por dezessete, significa R$ 74,4 mil, uma diferença de R$ 39,4 mil.
E a perspectiva para o cenário a seguir, segundo o dirigente da Acara, é que a crise se aprofunde um pouco mais até que haja a eleição do novo presidente – cuja aposta é a de que seja escolhido representante de partido distinto do que está no poder hoje.
“Devemos ter um choque no primeiro trimestre do ano que vem, precisaremos nos preparar para uma recessão. Somente no segundo trimestre é que deverá ter início o período de recuperação da economia. Tanto que nossa projeção é conservadora para o mercado automotivo em 2024, de alta de 4%, totalizando 450 mil unidades.”
Beato ponderou que em uma situação menos otimista é possível que o setor praticamente empate com 2023, com volume um pouco inferior, de 430 mil unidades. Assim como num cenário mais otimista sejam alcançadas 520 mil unidades, incremento de 15%.
Para o presidente da Acara é preciso haver uma redução de impostos a fim de onerar menos os preços dos veículos e permitir que a frota argentina seja renovada: “Quanto mais impostos houver mais longe ficará a compra de um carro 0 KM”.