São Paulo – Uma das alternativas para a expansão das exportações brasileiras nos próximos anos é a diversificação dos mercados, segundo Camila Andersen, consultora da KPMG, afirmou em painel do 6º Congresso Latino-Americano de Negócios do Setor Automotivo, organizado por AutoData. Ela destacou a necessidade de criar laços com países africanos e do Oriente Médio, por meio de acordos parecidos com o que o Brasil tem com o México, com foco no setor automotivo.
“É algo que tem de ser fomentado por ser um caminho mais óbvio do que o de mercados onde a China já tem maior acesso, inclusive o da América Latina.”
Ricardo Roa, também da KPMG, lembrou que a África já é uma realidade no segmento de pesados. Ele ainda ressaltou as alavancas que o Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, deverão gerar para o crescimento das exportações, como a relocalização de linhas de produção, o incentivo a projetos com tecnologias sustentáveis, os créditos financeiros via diversificação de mercado e o aumento na produtividade.
México em alta no cenário atual
Apesar da busca por novas fronteiras Andersen ressaltou que o Brasil também deve se esforçar para manter a relevância na América Latina: “É essencial: a gente precisa continuar brigando pelo espaço que ganhamos no México, pela presença que voltaremos a ter na Argentina”.
Por causa da crise econômica dos nossos vizinhos maiores do Mercosul o mercado mexicano tornou-se o principal destino para as exportações brasileiras. Esta maior importância do México deve seguir no curto prazo em função do protecionismo cada vez maior dos Estados Unidos, que faz aumentar a demanda por veículos produzidos nas fábricas mexicanas e abre espaço para os brasileiros.
“Nosso portfólio de produtos tem similaridade com o que o México consome, como o foco nos SUVs compactos, para dar um exemplo de veículos leves.”
Cuidado com as barreiras
Além de apontar tendências os especialistas falaram sobre os maiores obstáculos para as exportações automotivas brasileiras neste momento. O primeiro ponto é a baixa competitividade da nossa indústria com relação a países asiáticos. Especialmente a China, que tem acordos de livre comércio com países sul-americanos, além de menores custos de produção e na carga tributária na origem.
Outra questão, relacionada à área de autopeças, é a produção brasileira ser muito dedicada ao mercado nacional, o que gera incompatibilidades de produtos e que limita as possibilidades de expandir mercados para os componentes brasileiros.